Marinas não poluem o mar

Fotografia de um homem sorridente, de pele clara, cabelo curto castanho e barba bem aparada. Ele veste um terno azul, camisa branca e gravata escura. O fundo é azul claro, uniforme e liso.Artigo de Leandro Mané Ferrari
Presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira)

A ideia de que marinas poluem o mar é um mito que precisa ser desconstruído com informação e exemplos reais. No canal Mundo Mar, no YouTube, temos a série “Marina não polui”, em que mostramos iniciativas bem-sucedidas ao redor do mundo.

Um dos casos mais emblemáticos é o da Marina de Gênova, na Itália, onde cardumes de tainhas nadam tranquilamente entre as embarcações – uma prova viva de que, quando bem projetadas e geridas, as marinas podem conviver em harmonia com o ecossistema marinho.

Aqui em Florianópolis, ainda enfrentamos resistências injustificadas sobre o tema. No entanto, é preciso entender que uma marina moderna segue rigorosos padrões ambientais, com sistemas de contenção de resíduos, coleta de efluentes e cuidados com o fundo marinho.

Florianópolis é uma cidade que nasceu e cresceu voltada para o mar. No entanto, o setor náutico, que poderia ser uma potente alavanca econômica, continua travado por clara falta de conhecimento sobre o tema.

O projeto do Parque Urbano e Marina Beira-Mar, por exemplo, se arrasta há mais de uma década. Foi em 2013 que retomamos a proposta com o anteprojeto do arquiteto italiano Franco Gnessi e seguimos em busca de viabilizá-lo com recursos 100% privados. A cidade perde tempo e oportunidades, enquanto a economia do mar aguarda destravar seu potencial.

A implantação de uma marina em nossa cidade não é apenas uma questão de infraestrutura náutica. É uma oportunidade estratégica de fomentar o turismo sustentável, qualificar o transporte marítimo e gerar emprego e renda. A navegação entre o Continente e a Ilha, por exemplo, poderia ser reforçada com mais conforto, segurança e rapidez, beneficiando moradores e turistas.

Marinas também atraem embarcações de outros Estados e países, movimentando restaurantes, hotéis, serviços e o comércio local. Mais do que uma estrutura para barcos, elas são verdadeiras portas de entrada para a economia azul, que une desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

O projeto da Marina Beira-Mar foi pensado desde o início com critérios internacionais de sustentabilidade e busca, inclusive, a certificação Bandeira Azul – sinônimo de excelência ambiental em todo o mundo. É hora de repensar pré-conceitos e abraçar soluções que aliem natureza, turismo e desenvolvimento.

(ND, 20/05/2025)


Publicado em 20 maio de 2025

Categorias:
Artigos, Economia, Meio Ambiente, Náutica, Radar, Turismo
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