Entrevista Sérgio Magalhães, urbanista: “As cidades não estão bem”
Da Coluna de Diogo de Souza (ND, 17/08/2024)

Arquiteto Sérgio Magalhães – Foto: Floripa Sustentável
Um dos maiores nomes do urbanismo contemporâneo, Sérgio Magalhães, estará em Florianópolis na próxima terça-feira (20), em evento promovido pelo Floripa Sustentável. Magalhães falou com a Coluna Bom Dia e explicou que vê Florianópolis ainda em condição privilegiada ao ser comparada com cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Dentro desse conceito de urbanismo social, como o senhor vê Florianópolis?
Florianópolis tem áreas boas, desenvolvidas, qualificadas, mas por óbvio tem áreas com déficit urbanístico, onde falta saneamento, e os serviços públicos são escassos. Essas áreas precisam ter um olhar diferenciado, melhores condições para que as pessoas que moram nessas áreas possam se desenvolver plenamente. Melhorar a vida dessas pessoas é melhorar o bem-estar geral.
Quais os maiores problemas?
Até acho que Florianópolis tem problemas, mas em um grau inferior. São problemas que têm chance de ser equacionados com investimentos menores do que o que seria necessário em outras cidades, por exemplo. No entanto, há dois problemas importantes em nossas cidades, inclusive em Florianópolis, que é a expansão e construção de assentamentos onde a infraestrutura e a regularidade urbanística são muito precárias. Outro problema, que não é percebido, é a expansão da cidade de maneira exagerada e desenfreada. Exige redes mais poderosas, já que gasta mais energia, entre outras necessidades que, se não forem feitas de maneira planejada, acabam sendo prejudiciais.
Como o senhor vê essa situação no Brasil?
As cidades brasileiras não estão bem. O Brasil tem 85% da população morando em cidades e, infelizmente, não tem políticas públicas condizentes com essa situação. Não há financiamento para moradia que seja universalizado e o financiamento depende do mercado imobiliário. As famílias que precisam constroem do jeito que dá e não com a devida estrutura. Metade dos domicílios não têm esgoto adequado e o transporte público é reconhecidamente um caos.
Publicado em 19 agosto de 2024