Implosão de ponte nos EUA traz questionamento sobre investimento na reforma da Hercílio Luz em SC

Desde o início da manutenção, ponte já consumiu R$ 135 milhões

A implosão da ponte norte-americana Fort Steuben Bridge, semelhante a Hercílio Luz, nesta semana, trouxe um questionamento: vale a pena gastar R$ 200 milhões para restaurar a mais antiga travessia da Ilha de Santa Catarina?

Para o presidente do Departamento de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Meller, por ao chão uma ponte antiga da década de 1920, é uma filosofia “bem americana”. Em seis segundos, a ponte estaiada localizada em Ohio, nos Estados Unidos, foi derrubada. O vídeo foi postado no Youtube pelo próprio departamento responsável pela ação, a Ohio Department Transportation (Odot).

Em Santa Catarina já foram gastos R$ 100 milhões desde que a ponte foi interditada em 1982. Se for considerado o tempo desde que a manutenção começou, no início dos anos 1960, a cifra sobe para R$ 135 milhões.

— Não é mais útil, destrói e faz uma nova. Eles não levam em consideração o valor histórico. Já conversei com algumas empresas de lá especializadas em desmontar pontes. Eles não entendem porque tentamos manter uma com todos os gastos — conta Meller.

Mas, o presidente do Deinfra garante que as obras na Hercílio Luz não param, a não ser por um pedido popular:

— Nós continuaremos a tocar a obra, mas essa é uma discussão que a sociedade catarinense deveria fazer. As associações comunitárias deveriam debater o assunto — acredita Meller.

No site do Diário Catarinense, 33 leitores opinaram até às 18h desta sexta-feira. A maioria, 25 deles, se mostraram favoráveis a economia de verba pública. Alguns sugerem que deveria ser construída uma nova no modelo da original. A minoria destaca a importância cultural e turística.

A travessia é um patrimônio histórico municipal, estadual e nacional. Conforme o presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), Joceli de Souza, a Hercílio Luz registra um importante momento histórico e econômico do Estado, o qual Florianópolis corria o risco de perder o posto de capital por falta de travessia.

— É um ícone da cidade e do país e deve ser preservada. Se em outros locais não dão importância, aqui nós nos preocupamos com a história de nossa gente — afirma Souza.

Para conseguir verba e completar a restauração, o governo do Estado encaminhou um projeto para captação de recursos pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. Entre os dias 13 e 15 de março, a proposta deve ser analisada pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic), em Florianópolis. O pedido é de R$ 78 milhões para terminar a estrutura provisória, que tiraria a ponte do risco de colapso. Caso consiga aprovação, a expectativa do governo é concluir a restauração em 2014.

(Roberta Kremer, DC, 24/02/2012)


Publicado em 27 fevereiro de 2012

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