Estudo sobre a beleza interior

Obras de Samuel Casal, reunidas na mostra que ele abre hoje, enfrentam com ossos e vísceras o condicionamento do olhar

Para o ilustrador e artista plástico Samuel Casal, o melhor material para a confecção do estêncil – a máscara para criar a pintura, que tem utilizado em seu trabalho – são as radiografias. No constante manuseio delas, começou a imaginar Beleza Interior, a exposição de seus trabalhos que abre hoje à noite na Cor Galeria de Arte, na Capital.

Primeira mostra individual do artista em Florianópolis, a exposição ficará aberta para visitação por um mês. Pela primeira vez, o artista apresenta os trabalhos criados sobre tela, MDF e eucatex; uma dezena de obras de uma nova fase, iniciada há cinco meses. Casal deixou a vida em apartamentos, e agora mora em uma casa, no bairro Carvoeira. O resultado é mais espaço para desenvolver sua arte, que antes era criada no papel e na tela dos computadores.

– A vantagem de trabalhar com o spray é que pega fácil em qualquer superfície – explica.

O traço incomum de Samuel surpreende ao primeiro contato, mesmo para quem lê jornais e revistas com assiduidade e costuma deparar-se com sua arte. O ilustrador, que completa em 2010 duas décadas na atividade, lembra que está acostumado a criar em cima de um tema.

– Trabalhando para uma publicação a gente sempre cria em cima de um texto, um assunto. Então, surgiu essa ideia. Qual é o interesse das pessoas hoje? Então surge essa busca pela beleza, a luta contra o envelhecimento. O que tem de feio em envelhecer, o que tem de feito em nosso esqueleto? – questiona Samuel.

Então, a “beleza interior” da exposição pode estar em vísceras e ossos, em “imagens que não pedem para serem admiradas por olhos condicionados, pois a arte não é para as pessoas se sentirem como elas gostariam de se sentir, mas para fazê-las sentirem-se como elas deveriam se sentir”, lembra, citando Goethe.

Gravura destacada no Brasil e na Europa

Seja qual for a superfície na qual é impressa, a arte de Casal é destacada. Ele já ilustrou livros e publicou histórias em quadrinhos na Argentina, França, Alemanha, Bolívia, Chile e Espanha, e seu trabalho de gravura foi destaque em publicações na Itália e Espanha. Foi premiado duas vezes no Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto Alegre, e recebeu sete troféus HQMIX (Museu de Artes Gráficas Brasileiro), sendo dois consecutivos como Melhor Ilustrador Nacional. Participou de exposições em diversos países da Europa.

Em 2008, Samuel lançou Prontuário 666 – Os Anos de Cárcere de Zé do Caixão, história em quadrinhos que integra a trilogia do cineasta brasileiro José Mojica Marins.

(DC, 11/02/2010)


Publicado em 11 fevereiro de 2010

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Cultura, Radar
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