Dubai ou Acapulco?

Artigo escrito por João Carlos Mosimann – Escritor e historiador (DC, 11/01/2010)
Transformar a Ilha de Santa Catarina numa nova Dubai só pode ser fruto da imaginação de algum governante inepto com relação à nossa realidade. Santa Catarina é mar, até mesmo em função de sua extensa faixa litorânea de 560 quilômetros. E mar é praia, rede de pesca, esportes náuticos, culinária de frutos do mar. E associados a esse espaço democrático, fundamentos históricos e herança cultural. Os demais destinos complementam essa dádiva da natureza. Quem define o modelo é o mercado, e o nosso privilegia o turismo de massa que, interagindo com a comunidade, distribui melhor a renda. Em Dubai, agora em moratória, não existe turismo interno que requeira alternativas econômicas, com pousadas e hotéis turísticos. O ideal seria minimizar os riscos inerentes a cada um desses modelos. Os que querem uma nova Dubai estão interessados, na verdade, em ocupar praias, costões e um bom pedaço do mar!
Já a outrora célebre Acapulco, no México, viu declinar, drasticamente, seu fluxo de turistas em razão da poluição ambiental, da carência de água potável, do narcotráfico e da violência urbana (700 mortes por ano). A tentativa de recuperação vem exigindo investimentos maciços do governo e os resultados são incertos. Aqui, nossos governantes são megalômanos, mas pequenos na hora de agir. O início das obras de ampliação do Aeroporto Hercílio Luz se arrasta por quatro anos porque não se executou a duplicação de um trecho de três ou quatro quilômetros de acesso. Assim como a aeroportuária, a infraestrutura de transportes, segurança, água e saneamento exigem atenção permanente. A virada do ano veio demonstrar que a Ilha está mais para Acapulco do que para Dubai. E o pior: ninguém faz nada.


Publicado em 11 janeiro de 2010

Categorias:
Planejamento, Radar, Turismo
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