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Estado é 2° que mais desmata a Mata Atlântica

Ranking de perda de cobertura mostra SC atrás só de MG

Santa Catarina ocupa o segundo lugar no ranking brasileiro de desflorestamento da Mata Atlântica entre 2005 e 2008, atrás apenas de Minas Gerais. A informação foi divulgada ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nos últimos três anos, o Estado perdeu 25,9 mil hectares. Além de figurar entre os estados que estão em situação crítica, o dados que integram o novo levantamento do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica ainda elencam os municípios de Itaiópolis, no Planalto Norte, e Santa Cecília, no Meio-Oeste, entre os líderes em desmatamento no país.

No entanto, de acordo com pesquisa realizada pela Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), Itaiópolis, apontada com a segunda cidade brasileira que mais desmatou nos últimos três anos, apresenta a maior área de mata nativa do Estado – cerca de 58% dos 75,3 mil hectares do território.

– A situação está controlada. Uma fiscalização rigorosa no ano passado inibiu o desmatamento. Temos muita mata aqui e a cidade sofreu uma grande expansão – afirmou o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Agenor Stocco.

O secretário de Administração de Santa Cecília, Francisco Inácio Luvisa, observou com desconfiança os números apresentados pelo levantamento.

No país, média anual de 34,1 mil hectares

A cidade, que ocupa o 10º lugar entre as que mais perderam cobertura vegetal no período, está classificada pela Fatma entre as maiores reflorestadoras.

– Eu não posso acreditar nisso. Há três décadas fizemos um reflorestamento com recurso de incentivo fiscal e hoje estamos fazendo a colheita de pinus destas áreas. Mas esta mata não é nativa. Penso que eles consideraram esta área – justificou Luvisa.

Os desflorestamentos entre 2005 e 2008 totalizaram 102,9 mil hectares nos 10 estados avaliados pela pesquisa, mantendo a média anual de 34,1 mil hectares de desflorestamento por ano.

De acordo com o levantamento, os cinco estados onde houve mais devastação foram, na ordem, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul.

A diretora da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do estudo pela entidade, Márcia Hirota, disse que o desmatamento nesses estados ocorre principalmente para substituir o uso da floresta, geralmente para a agropecuária e exploração de pinus, principalmente em Santa Catarina.

Segundo o estudo, Santa Catarina ainda preserva 23,29% de seus remanescentes florestais. No país, a Mata Atlântica está reduzida a 7,9% de sua área original.

Fatma discorda dos números

A Fatma discorda dos números divulgados ontem. Segundo o presidente da instituição, Murilo Flores, o Estado conta com 41% de cobertura vegetal nativa. Os dados integram o Mapeamento da Cobertura Vegetal de SC, feito pela Fatma. A metodologia dos dois estudos pode explicar a diferença. Segundo Flores, enquanto a SOS Mata Atlântica trabalhou com propriedades com ao menos cinco hectares, a Fatma analisou terras com metade do tamanho:

– SC tem 89% de seu território coberto por propriedades de até 20 hectares. Mas há também áreas abaixo de cinco hectares. É possível que esse tenha sido o motivo para vermos muito mais cobertura vegetal.

O presidente concorda que o desmatamento preocupa e que a fiscalização no Estado é deficiente:

– O governador deve encaminhar à Assembleia um projeto que prevê a reestruturação da Fatma.

(DC, 27/05/2009)

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1 Comentário

  1. Terezinha Pinheiro Silva disse:

    É realmente lamentável a situação de Santa Catarina, quanto ao desmatamento da Mata Atlântica. Fico apavorada quando viajo por SC e percebo as enormes plantações de pinus e eucaplíteiros que estão ocupando lugar das nossas belíssimas araucárias e de outras tantas plantas nativa. Conforme sabemos o pinus juntamente com os eucalipteiros já destruiu grande parte da Austrália, pois este país tem um deserto enorme e muitas plantações destas plantas, onde se presume seja em decorrêrncia da plantação destas árvores. Precisamos com certeza controlar a Mata Atlântica em nosso belo e suntuoso estado.

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