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Uma rua da capital catarinense que continua Formosa

Da Coluna de Carlos Damião (ND, 13/10/2018)

Primeira ligação direta entre o Centro Histórico e a Baía Norte, a Rua do Passeio (ou Formosa, ou Senador Mafra), hoje Esteves Júnior, preserva um charme indiscutível nos dias atuais, apesar de ter recebido muitas modificações urbanísticas ao longo do tempo. Da época do Império, a rua cortou a região de chácaras até chegar à Praia de Fora, onde está a Praça Esteves Júnior e a Avenida Beira-Mar Norte. Percorrê-la permite sensações prazerosas, como, até poucos dias, contemplar os pés de ipês amarelos floridos, tanto na beira das calçadas, quanto em jardins dos prédios ou da sede da Cúria Metropolitana (a Casa do Arcebispo). Outra sensação boa é contemplar o que restou de patrimônio histórico, como o colégio Henrique Stodieck, que foi sede da Faculdade de Direito antes da transferência para o campus da UFSC na Trindade, o próprio palácio episcopal, o Colégio Catarinense, o Memorial do Centro Educacional Menino Jesus (primeira sede do colégio das freiras, nos anos 1950), uma sequência de casas centenárias entre os dois colégios e a esquina com a Rua Bocaiúva, a antiga CEU (Casa da Estudante Universitária), hoje parte do condomínio residencial Alice Guilhon Gonzaga Petrelli, nome da professora que mantinha a instituição até os anos 1970. No trecho entre a Presidente Coutinho e a Bocaiúva está ainda a bela casa que pertenceu ao médico e historiador Osvaldo Rodrigues Cabral, com seus imensos flamboyants emoldurando a edificação diferenciada. O imóvel foi restaurado em 2016 pela Casa Cor e hoje é ocupado por atividades comerciais. É um dos últimos que lembram o período das chácaras, encerrado por volta da década de 1970, quando começou a verticalização da rua.

Embora não conserve elementos de vegetação, o Colégio Catarinense também é uma “herança” do tempo das chácaras. Ali ficava a chácara Vila Pamplona, de propriedade do governador Vidal Ramos. No início do século 20 Vidal doou o imóvel para os jesuítas, que inauguraram o colégio em 1905. O Catarinense talvez seja a memória mais antiga e intensa da Rua Esteves Júnior.

Uma personalidade internacional marcou a história da rua e do colégio: num quarto da vila dos jesuítas pernoitou em 17 de outubro de 1991 o papa João Paulo 2º, que veio a Florianópolis para beatificar Madre Paulina no dia 18 outubro, no Aterro da Baía Sul.

O nome definitivo da rua, que revogou as denominações anteriores foi escolhido para homenagear Antônio Justiniano Esteves Júnior, senador da República entre 1890 e 1900. Na praça de mesmo nome há um busto que lembra o homenageado, ao lado dos canhões que pertenciam ao Forte São Francisco Xavier da Praia de Fora, demolido no século 19). Na esquina com a Rua Bocaiúva funciona hoje uma padaria e lanchonete, mas ali foi um ponto de referência fundamental da cidade durante mais de 40 anos: o bar de Agapito Katcips, um grego que fez história na região e morreu no fim de 2017.

O portal retratado por Fossari

É interessante observar também um portão de ferro no trecho entre a esquina com a Vidal Ramos e a Antônio Dib Mussi. O portal dá acesso ao convento anexo ao colégio Imaculada Conceição. Na década de 1960 o artista Domingos Fossari desenhou esse elemento histórico. O bico-de-pena está no livro “Florianópolis de Ontem”, identificado como “portal de um antigo solar”.

O espetáculo dos ipês amarelos

Os ipês amarelos proporcionaram um espetáculo de beleza e encanto entre setembro e os primeiros dias de outubro, período da florada anual.

São árvores de porte médio, plantadas pela Floram durante a administração do prefeito Dario Berger nas calçadas dos dois lados da rua. Uma de porte maior (foto), no interior do jardim da Cúria Metropolitana, teve em 2018 uma das florações mais bonitas dos últimos anos.

Passear e contemplar

O antigo nome de Rua do Passeio faz justiça a quem caminha. Quem circula de automóvel na extensa via acaba sempre retido por 10 ou 15 minutos nos períodos de entrada e saída dos dois colégios (Catarinense e Menino Jesus). A falta de mobilidade é o maior problema da Esteves Júnior, mas a dificuldade para trafegar de carro entre a Presidente Coutinho e a Bocaiúva não diminui o charme da rua; por isso, o bom mesmo é passear a pé.

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