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Uma rica viagem no tempo em exposição em Florianópolis




Da coluna de Carlos Damião (Notícias do Dia Florianópolis. 02/04/2017 )

A mostra “Iconografia 344”, na Fundação Cultural Badesc, é uma das atrações mais importantes do ano na Capital

“Um tesouro incalculável”. Assim se expressou a escritora e pesquisadora Lélia Nunes, traduzindo o pensamento de muitos, após conhecer a exposição “Iconografia 344”, na Fundação Cultural Badesc. De fato, é impossível não se impressionar com a fantástica coleção de imagens, mapas e documentos relativos a Florianópolis, colocada à disposição dos moradores pelo médico Ylmar Corrêa Neto, curador da mostra. Um acervo dessa natureza realmente só faz sentido se for compartilhado, porque é uma declaração de amor à cidade.

A noite de abertura do evento, na quinta-feira, 30/3, foi surpreendente, pela presença maciça de historiadores, artistas, pesquisadores e jornalistas. Mas, acima disso, o que mais chamou a atenção foi a supremacia do público jovem. Algo que contraria um discurso preconceituoso, de setores muito localizados, sobre o culto à memória e à história, de que isso seria “coisa de velho” ou de “saudosistas inconformados” ou, ainda, de “gente que vive num mundo em preto e branco”. A juventude que lotou a antiga residência do presidente Nereu Ramos, sede da Fundação, desmentiu flagrantemente essa visão dominante entre muitos novos ricos da Capital, pouco talhados a compreender o verdadeiro conceito de cultura.

O presente encontra o passado

Na exposição, muito bem organizada, ressalta-se a beleza das paisagens de Desterro, vilarejo fundado há 344 anos pelo bandeirante Dias Velho, além de algumas imagens mais recentes, dos séculos 20 e 21, que dialogam com o material mais antigo. A “estrela” da mostra é a gravura original de Gaspar Duche de Vancy, de 1787, considerada a primeira imagem da vila de Nossa Senhora do Desterro. O gravurista integrou a célebre expedição de La Pérouse, um dos navegadores estrangeiros que desembarcaram na ilha entre os séculos 18 e 19 e se preocuparam em documentar a experiência.

O presente encontra o passado em inúmeras facetas da mostra, que fica aberta ao público até dia 1 de junho, com entrada franca. A escravidão, por exemplo, está retratada em imagens impressionantes, colocando-nos em contato com um dos períodos mais cruéis da história brasileira, que infelizmente persiste hoje em dia nos subterrâneos do capitalismo predador. Há também originais que valorizam a fauna e a flora local, ilustrando bem as nossas riquezas naturais. E há os mapas, numa seção específica, que ajudam a compreender a evolução da percepção espacial da ilha.

Celebração afetuosa

“Iconografia 344” é uma viagem no tempo, uma celebração afetuosa e delicada da rica história de Florianópolis. Não se vê ali elementos caóticos da atualidade, como a densa ocupação urbana, que se espraiou para as regiões Norte, Leste e Sul da Ilha e Continente. Há muito do que já fomos, no resgate do nosso vilarejo, da nossa tão bela aldeia, massacrada pelo crescimento desmedido, quase sempre desordenado e confuso.

Talvez por isso a abertura da exposição tenha sido tão prestigiada pelo público jovem, ansioso por conhecer e se deslumbrar com as imagens de uma cidade desconhecida, um pequeno aglomerado de casas e igrejas, os barcos espalhados pelas suas baías, suas riquezas naturais. Perceber que a Florianópolis atual conserva poucas características de suas origens é um sentimento quase generalizado, não só entre os jovens, mas entre todos os que, no cotidiano, lutam para que alguns recortes históricos preservados não sejam jamais afetados pela expansão da urbe.

As visitas de estudantes à mostra são fundamentais para a compreensão da nossa história, até porque crianças e adolescentes são multiplicadores de afetos e memórias. As escolas interessadas devem entrar em contato com a Fundação Cultural Badesc, pelo telefone (48) 3224-8846.



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