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21/11/2010

Como SC perdeu o estaleiro OSX

Foi no domingo, dia 14, em reunião convocada pelo próprio Eike Batista no meio do feriado, que ficou decidida a mudança para o Rio

O projeto do estaleiro OSX foi transferido oficialmente de Biguaçu, na Grande Florianópolis para São João da Barra, litoral norte do Rio de Janeiro, na última terça-feira, mas a decisão havia sido tomada no domingo anterior.

Uma reunião emergencial convocada pelo bilionário Eike Batista organizou a visita que executivos do Grupo EBX e da Hyundai Heavy Industries, sócia no estaleiro e líder global em construção naval, fizeram à cidade carioca no dia seguinte. Os coreanos viram de perto o local, considerado, naquele dia, o mais adequado para o estaleiro. E saíram de lá sorrindo.

O processo decisório que terminou com São João da Barra escolhida para receber o investimento de quase R$ 3 bilhões começou discretamente entre agosto e setembro. Nestes meses o plano B para o estaleiro OSX passou a ganhar músculos. Mas Santa Catarina ainda não havia sido descartada. Isso ocorreu de fato na sexta-feira, véspera de feriado, quando a empresa fechou os resultados do terceiro trimestre de 2010 e percebeu que não havia mais tempo para ficar em cima do muro.

– Nós fechamos as nossas contas na semana passada, a parte econômica, a parte técnica, a possibilidade de expansão (da companhia), todos os vieses de comparação. Ficou faltando só o viés do tempo – revelou Paulo Monteiro, diretor de Sustentabilidade do Grupo EBX, em entrevista ao Diário Catarinense.

Para uma empresa de capital aberto como a OSX, esperar tempo demais para anunciar o endereço de um empreendimento bilionário é ruim para os negócios. Investidores são avessos a incertezas e atrasos. Monteiro afirmou que “o cronograma” sempre foi o fator principal para que a empresa tomasse uma decisão.

Depois de receber dois pareceres negativos do escritório regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sobre a área escolhida em Biguaçu, próxima a três unidades de conservação ambiental, a OSX viu, em março, o Ministério Público recomendar que o Ibama assumisse a análise de licenciamento iniciada em janeiro pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma).

A disputa sobre a competência dos órgãos ambientais terminou em agosto, quando um acordo assinado em Florianópolis definiu que a Fatma seguiria o trabalho com o apoio de dois técnicos do Ibama. Pressões de políticos catarinenses no Ministério do Meio Ambiente fizeram com que novo parecer técnico sobre o projeto fosse feito pelo ICMBio em Brasília.

A comissão de técnicos formada no dia 20 de agosto teria 30 dias para se manifestar. Depois de adiar a entrega do parecer duas vezes, o documento passou para as mãos do presidente do ICMBio, Rômulo Mello, na sexta-feira, dia 12. Nesta mesma sexta-feira, a diretoria da OSX foi apresentada aos resultados trimestrais. O impacto sobre o cronograma exigia uma resposta da cúpula. O que levou à reunião emergencial convocada por Eike. Paulo Monteiro e outros diretores foram chamados para analisar o assunto.

(ALESSANDRA OGEDA, DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO
1- Executivos coreanos vão ver de perto as obras no Porto do Açu
Na segunda-feira, uma comitiva que incluia Monteiro, o presidente da OSX, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, o gerente executivo de Construção Naval da empresa, José Jorge Araújo, e o presidente e o vice da coreana Hyundai Heavy Industries, Jai-Seong Lee e Jung-Tae Kim, visitou o Porto do Açu em São João da Barra, com 32 mil habitantes – quase metade da população de Biguaçu –, distante pouco mais de 320 quilômetros do Rio.

Eles foram recepcionados pelo secretário de Planejamento da cidade, Victor Aquino, e pela prefeita Carla Machado. Ela viajou junto com a comitiva da OSX do Rio de Janeiro, onde estava no feriado, para a visita “emergencial” dos parceiros da construção do estaleiro.

– Perguntei ao presidente da OSX se estava tudo certo para a vinda do estaleiro, mas ele me disse que não. Que eles estavam na fase de decisão e que ela poderia sair só no início do próximo ano – revelou Aquino.

Os representantes da cidade ainda não sabiam, mas aquela visita era a última etapa de uma decisão que praticamente já havia sido tomada – e que se tornaria pública no dia seguinte. A prefeita e o secretário de Planejamento encontraram a comitiva no porto e seguiram para o centro de visitantes. Ali, os coreanos viram a maquete da obra do complexo do Açu planejado pelo grupo EBX.

O grupo partiu de ônibus até o local das obras, onde foi concluída uma ponte com três quilômetros de extensão e 27 metros de largura. No trajeto, um funcionário da OSX apresentou o projeto, em inglês, aos executivos da Hyundai. Eles pareciam satisfeitos com o avanço das obras do porto e o espaço.

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 1- Executivos coreanos vão ver de perto as obras no Porto do Açu
Na segunda-feira, uma comitiva que incluia Monteiro, o presidente da OSX, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, o gerente executivo de Construção Naval da empresa, José Jorge Araújo, e o presidente e o vice da coreana Hyundai Heavy Industries, Jai-Seong Lee e Jung-Tae Kim, visitou o Porto do Açu em São João da Barra, com 32 mil habitantes – quase metade da população de Biguaçu –, distante pouco mais de 320 quilômetros do Rio.

Eles foram recepcionados pelo secretário de Planejamento da cidade, Victor Aquino, e pela prefeita Carla Machado. Ela viajou junto com a comitiva da OSX do Rio de Janeiro, onde estava no feriado, para a visita “emergencial” dos parceiros da construção do estaleiro.

– Perguntei ao presidente da OSX se estava tudo certo para a vinda do estaleiro, mas ele me disse que não. Que eles estavam na fase de decisão e que ela poderia sair só no início do próximo ano – revelou Aquino.

Os representantes da cidade ainda não sabiam, mas aquela visita era a última etapa de uma decisão que praticamente já havia sido tomada – e que se tornaria pública no dia seguinte. A prefeita e o secretário de Planejamento encontraram a comitiva no porto e seguiram para o centro de visitantes. Ali, os coreanos viram a maquete da obra do complexo do Açu planejado pelo grupo EBX.

O grupo partiu de ônibus até o local das obras, onde foi concluída uma ponte com três quilômetros de extensão e 27 metros de largura. No trajeto, um funcionário da OSX apresentou o projeto, em inglês, aos executivos da Hyundai. Eles pareciam satisfeitos com o avanço das obras do porto e o espaço.

(DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 2- O anúncio que foi prorrogado mais uma vez
No dia seguinte à viagem, terça-feira, dia 9, a assessoria do ICMBio afirmou que o parecer sobre a viabilidade da instalação do estaleiro em Biguaçu seria divulgado apenas no dia 15 de dezembro.

– Prorrogamos o prazo porque eu queria ouvir os órgãos de licenciamento, Ibama e Fatma, por se tratar de um processo de alta complexidade – observou Rômulo Mello, presidente do ICMBio.

O estudo do instituto foi produzido por uma equipe que reuniu técnicos catarinenses e de Brasília.

Segundo Mello, era necessário avaliar o resultado juntamente com as outras entidades. Técnicos da Fatma tinham sido chamados para uma reunião sobre o assunto na terça-feira, dia 16, mas o compromisso foi desmarcado pelo ICMBio na véspera do feriado da República.

(DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 3- Sexta-feira, dia 12: o dia decisivo para o projeto do estaleiro
Por SMS, no celular, o presidente da Fatma, Murilo Flores, recebeu a notícia de que o ICMBio adiaria novamente a divulgação do parecer. Era sexta-feira, dia 12. Murilo estava ainda em férias, na cidade de Estrasburgo, França, próximo da fronteira com a Alemanha. Aquela sexta-feira foi o Dia D para o projeto do estaleiro OSX.

Rômulo Mello recebeu o documento dos técnicos em sua mesa antes de viajar para o Norte do país. Informado sobre a possibilidade do parecer ter sido concluído, Paulo Monteiro tentou ligar para Mello. Quando foi informado que ele estaria viajando no feriado, o executivo concluiu que o parecer não estava, realmente, pronto – ou que, pelo menos, não seria logo divulgado. Estava certo.

Informações preliminares sobre o documento apontavam que ele não seguiria, exatamente, a mesma linha do parecer do ICMBio. O grupo de trabalho teria concluído pela viabilidade do projeto em Biguaçu, mas com uma série de restrições, que exigiriam adaptações – um volume maior, inclusive, do que aquele apresentado pela Fatma.

Na terça-feira, dia 16, aproximadamente uma hora depois do ICMBio ter adiado a divulgação do parecer, a OSX tornava público um fato relevante após o fechamento dos mercados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), exigência para todas as empresas com capital aberto em bolsa de valores. O fato relevante pode ser divulgado pelas companhias em qualquer momento e de forma eletrônica.

O efeito foi sentido no pregão seguinte da Bolsa de SP: a OSX Brasil ON avançou 0,87%, superando a variação de 0,75% do Ibovespa.

(DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 4- São João da Barra articula para ser mais que marca de bebida
A primeira pessoa a ser informada sobre o novo endereço do estaleiro foi o secretário de Planejamento de São João da Barra, Victor Aquino. Antes das 20h de terça, ele recebeu uma ligação no celular, na capital fluminense.

– Pode confirmar para a prefeita que o estaleiro vai para a cidade de vocês – teria dito o presidente da OSX, Luiz Eduardo Carneiro.

Arquiteto e bisneto do empreendedor que fundou a principal fábrica da cidade, do conhecido conhaque de alcatrão, Aquino deixou o Rio há três anos para projetar uma nova cidade – São João da Barra pode chegar a 250 mil habitantes em 15 anos graças aos investimentos do Grupo EBX. Foi ele quem comunicou as boas novas à prefeitura.

Os rumores de que o estaleiro poderia ir para São João da Barra tornaram-se mais fortes em meados de agosto. Naquele momento, executivos da OSX comentaram com a prefeita e o secretário de Planejamento sobre o plano B da empresa. Foi aí que Aquino começou a mexer os pauzinhos para sanar aquela que parecia ser a única desvantagem da cidade em relação à Biguaçu: mão de obra especializada.

– A Secretaria de Educação passou a procurar outras instituições para formarmos soldadores e eletricistas – revelou ele

Enquanto isso, alunos que fizeram os cursos técnicos do Senai em Biguaçu, patrocinados pela OSX, ouviam conversas preocupantes.

– O pessoal da OSX com quem a gente conversava dizia que o estaleiro poderia não vir para cá por uma questão de licença ambiental, e não porque o Rio fosse melhor. Eles achavam Biguaçu um local mais favorável por causa da mão de obra qualificada – lembra Anderson Rodrigues de Faria, que se formou eletricista instalador residencial.

(DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 5- O dia seguinte: almoço indigesto em Biguaçu
Há 60 dias, as vantagens estratégicas do Porto do Açu também começaram a ficar mais evidentes. O estaleiro terá um cais com 2,4 mil metros quadrados (70% maior que teria em Biguaçu) e estará próximo de duas siderúrgicas, duas termoelétricas, duas empresas de cimento e de uma montadora.

Sem contar a Cidade-X, empreendimento da imobiliária REX, de Eike Batista, que será planejada para abrigar 200 mil pessoas. O projeto da Cidade-X e o plano viário de São João da Barra serão assinados pelo urbanista e ex-governador do Paraná Jaime Lerner.

A notícia da migração do estaleiro para a costa do Rio correu como um rastilho de pólvora na internet terça-feira à noite. O procurador-geral de Biguaçu, Anderson Nazário, um fiel interlocutor de Eike Batista no microblog Twitter, ficou sabendo da notícia através da ligação de um amigo no celular.

Esse amigo, que acompanha o blog da colunista do DC, Estela Benetti, leu a notícia e alertou Nazário. O procurador, por sua vez, ligou para o prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps. No dia seguinte, após anunciar oficialmente a decisão da OSX ao governador Leonel Pavan, Paulo Monteiro e o gerente de relações institucionais da companhia, Norberto Schaefer, almoçaram com o prefeito e o procurador-geral de Biguaçu.

Sabendo da notícia desde a véspera, os representantes do município focaram a conversa nas alternativas de investimentos que o Grupo EBX poderia trazer para Biguaçu. Entre uma garfada e outra no cardápio de moqueca e peixe à belle meunière, com goles de refrigerantes – exceto pelo prefeito que, resfriado, preferiu um suco de limão –, o grupo conversou sobre a vinda da REX para Biguaçu.

(DC, 21/11/2010)

BASTIDORES DO ANÚNCIO: 6- Gasto com terrenos de R$ 76,2 milhões não será ignorado

No almoço, os representantes do Grupo EBX abordaram o apelidado “risco X”: a pressão dos investidores sobre as empresas de Eike Batista, cujo retorno ainda é um incógnita. No caso específico da OSX, essa pressão significava definir logo o local em que seria instalado o estaleiro, peça-chave para que os navios que forem explorar petróleo pela petroleira do grupo, OGX sejam produzidos. A indefinição poderia levar a uma grande cadeia de prejuízos.

O diretor de sustentabilidade do grupo, Paulo Monteiro, disse que o projeto no Rio estava com uma projeção menor de tempo para ser viabilizado, com licenças em processo adiantado, diferente do que ocorreu em SC. O tique-taque dos negócios, aliado às vantagens do entorno do Porto do Açu, definiram a disputa.

O almoço de quarta-feira não foi intragável porque os representantes de Biguaçu souberam que o Grupo EBX continuará no Estado. Até o momento, a empresa de Eike Batista gastou na cidade R$ 76,2 milhões na compra de terrenos. E confirmou, quarta-feira, que comprará, até dezembro, outras propriedades pré-acordadas há seis meses.

Os gastos do Grupo EBX com os terrenos escriturados na cidade renderam, até o momento, R$ 1,5 milhão em impostos sobre a transmissão de bens imóveis para os cofres municipais. Estima-se que o grupo de Eike tenha gastado outros R$ 5 milhões com os processos de licenciamento ambiental. Um investimento grande demais para ser abandonado. Uma hipótese oficialmente descartada pelo Grupo EBX na semana passada.

(DC, 21/11/2010)

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1 Comentário

  1. sirlei borges da silva disse:

    porisso que as pessoas sofrem 0s governantes não consseguem traser envestimentos pra cidade

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