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Uma nesga de sol para nascer, todo o mundo para morrer

Artigo de Douglas Cavallari de Santana (Diário dos Açores, 08/02/2008)
Padre António Vieira, sobre a essência do espírito português
Criados no meio do Oceano Atlântico, a milhares de quilómetros da Europa e da América, os solitários açorianos forjaram uma das mais ricas culturas do Mundo Lusófono. Tendo como lar nove ilhas vulcânicas onde os recursos naturais sempre foram limitados e os desastres naturais uma constante, aprenderam desde cedo que viver não é fácil e que o trabalho duro pode ser a única saída.
Quando os portugueses chegaram ao arquipélago, durante as Grandes Navegações, encontraram uma terra desabitada. O povoamento iniciou-se em 1444, com imigrantes vindos do continente. Apesar dos desafios do território, o povo adaptou-se e cresceu até mais que o esperado. Com isso, espalhou-se a fome e as doenças. A imigração foi novamente a única saída.
Foi nessa altura que os destinos dos açorianos e brasileiros começaram a se entrelaçar. Ainda em 1550, chegaram os primeiros imigrantes do arquipélago à Bahia, para ajudar na fundação da primeira capital do Brasil Colónia. No século seguinte, casais foram trazidos das ilhas para as mais diversas regiões.
Mas a experiência mais marcante da colonização açoriana no Brasil deu-se nos actuais estados de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Preocupado em perder essa parte do território para a Espanha, D. João V criou (em 1746) uma espécie de “pacote de benefícios” para os habitantes das ilhas que desejassem fazer uma vida nova em terras brasileiras. Em menos de um ano, quase 8.000 pessoas aderiram ao plano.
Como é comum nas sagas de imigrantes, muito pouco do que foi prometido foi realmente cumprido. Mas nem a decepção, a pobreza e os constantes enfrentamentos com os espanhóis foram capazes de desanimá-los. Com bravura e muito trabalho no mar, no machado e na enxada, venceram e foram os responsáveis pela colonização de grande parte do litoral sul do Brasil.
Imigrando constantemente para o Brasil até o século XX, os açorianos deixaram uma série de marcas na nossa cultura. Na arquitectura de muitas cidades, no falar cantado dos “manezinhos da ilha” (como satirizam muitos catarinenses), nas Festas do Divino Espírito Santo, no pão-de-ló, no arroz doce, nos tapetes feitos em tear, entre muitas outras contribuições.
Quem se interessar em conhecer um pouco mais dessa saga, a dica que eu deixo é assistir o filme “Diário de um Novo Mundo”. Bem realizado e com os actores Edson Celulari e Daniela Escobar como protagonistas, é um romance que tem como “pano de fundo” a chegada dos primeiros grupos de açorianos a Santa Catarina. Foi baseado no livro “Um Quarto de Légua em Quadro”, de Luís António de Assis Brasil, outra grande fonte para se aprofundar no tema.
Quem viajar ao estado de Santa Catarina também não pode deixar de conhecer os prédios açorianos do Balneário de São Miguel, na cidade de Biguaçu. Ficam às margens da estrada BR 101, no km 189, cerca de 20 quilómetros ao norte da capital Florianópolis.
Apesar de muito da antiga vila ter se perdido com a construção e duplicação da estrada, as três construções mais significativas que restaram valem a visita. A começar por um aqueduto tipicamente português, que antigamente levava água da serra até a praia, onde abastecia as embarcações.
Perto do aqueduto, estão a Igreja de São Miguel (construção no melhor estilo açoriano, fundada em 23 de Janeiro de 1751) e o Museu Etnográfico Casa dos Açores, antiga residência do rico fazendeiro João Ramalho da Silva Pereira, construída na primeira metade do século XIX.
No museu, além da beleza da construção e simpatia da equipa responsável, você vai encontrar bastante informação sobre a história da imigração açoriana na região e pode adquirir um variado artesanato local e indígena. Eu mesmo não resisti e voltei para casa com a maquete de uma barca típica da região, esculpida em madeira.
Para fechar, fica uma curiosidade: você sabia que até o actor Tom Hanks é descendente de açorianos? Esse povo realmente deu voltas ao mundo!
Artigo publicado na secção Iscas Intelectuais – Lusófonas da página de Internet do comunicador Luciano Pires – www.lucianopires.com.br.
Para saber mais:
Assis Brasil: página sobre a imigração açoriana para o Brasil. Possui muitos dados históricos sobre o arquipélago, a chegada das famílias na Região Sul, os principais sobrenomes, genealogia, etc.
Diário de um Novo Mundo (www.diáriodeumnovomundo.com.br): página oficial do filme, com informações sobre a produção e a saga açoriana no Brasil.
Biguaçu: página do município catarinense onde está situado o “Museu Etnográfico Casa dos Açores”.
Museu Casa dos Açores: aberto de terça à sexta das 8h00 às 18h00 e nos finais de semana das 8h00 às 17h00. Fecha para almoço. O telefone é +55 (48) 3243-4166 e o e-mail é museuetinografico@yahoo.com.br .
Est Editora: página da editora que publicou o livro “Açorianos no Brasil – História, Memória, Genealogia e Historiografia”, lançado em 2002 pela historiadora Vera Lúcia Maciel Barroso.

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1 Comentário

  1. Rosemari Gattás Barnezi disse:

    Estou escrevendo um livro sobre a história da seda de Gália (SP). Na introdução conto sobre os açorianos. Necessito do nome do primeiro criador açoriano de casulos, data e localidade.
    saudações
    Rose

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