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Ilha está incluída no roteiro de cruzeiros internacionais

Encerrada a novela de instalação da poita que permite o atracamento de navios na baía de Canasveiras, articulações políticas e comerciais são feitas para recuperar o atrasado e atrair mais empresas interessadas em navegar na costa catarinense. O supervisor da agência de turismo Sun & Sea Nelson Dominicis afirma que, há três anos, o destino mais procurado entre as empresas de cruzeiros que ele representa no Brasil era Florianópolis. “Com a falta de estrutura, houve muitas desistências e elas acabaram deixando este destino de lado”, diz.

Depois da poita, o que ainda falta ser instalado – e que já está sendo providenciado, segundo Dominicis – é um trapiche flutuante, para facilitar o embarque e desembarque em função da maré, que chega a oscilar mais de um metro. Ele deve funcionar como uma rampa flutuante que ligue o bote de transporte de passageiros ao trapiche fixo, em Canasvieiras.

Para a próxima temporada de verão, a Sun & Sea já confirmou o retorno dos dois navios que atracaram neste verão, e adicionou mais três na rota catarinense. O presidente da Santur, Marcílio Ávila, tem uma reunião esta semana com oito companhias marítimas da Europa e dos Estados Unidos para amarrar a temporada 2007/2008. “Percebemos interesse das empresas e estamos acreditando que receberemos no mínimo 60 escalas no verão que vem”, declara.
Segundo Marcílio, o turismo de navio cresce a uma média de 12% ao ano. Ao mesmo tempo, de acordo com ele, destinos tradicionais como o Caribe estão ficando saturados, e este turista quer conhecer lugares diferentes. “O vice-presidente internacional da empresa Island Cruises, Jurgen Ballon, encara o litoral catarinense como a bola da vez para cruzeiros”, afirma.

Dominicis, da Sun & Sea, avalia que o crescimento é ainda maior que 12%. Ele cita dados da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar): em 2002, a associação estima que haviam 70 mil turistas de cruzeiro no País. Hoje o número alcança 300 mil, e acredita-se que há 500 mil potenciais clientes para serem atingidos até 2012. Pelo menos 80% destes turistas são da região Sudeste, especialmente de São Paulo.

Conforto de hotel em alto-mar

Para o passageiro, o grande privilégio em viajar de cruzeiro é tomar o café da manhã com uma paisagem diferente todos os dias. “Um mérito que oferecemos é levar toda a infra-estrutura e comodidade de um hotel para vários lugares diferentes”, afirma o representante da Island Cruises em Santa Catarina, Maurício Voss.

Uma vez embarcado, o passageiro usufrui de todos os serviços tradicionais de um bom resort, e alguns extras como o cassino, que por força da legislação só pode funcionar a pelo menos 12 milhas náuticas distante da costa, em águas internacionais. O cassino é uma das principais receitas do navio.

Os preços dos pacotes também passaram a ser competitivos: com uma média de US$ 90 por dia é possível fazer um cruzeiro pela costa brasileira. Todas as refeições estão incluídas no pacote. Bebidas envasadas, serviços, souvenirs e taxas de embarque são cobrados à parte. Cervejas custam em torno de US$ 4, enquanto uísque e outros coquetéis são vendidos a US$ 6.

Voss destaca que várias alterações foram feitas para adaptar a viagem ao gosto do brasileiro. Para deixar o cliente doméstico mais à vontade, o cardápio foi todo abrasileirado. Nos almoços é comum encontrar arroz e feijoada, por exemplo, ou mesmo aipim frito. “Também detectamos a necessidade de um café, onde as pessoas podem matar a saudade do legítimo café brasileiro”, comentou, referindo-se a um novo ambiente criado no navio.

De acordo com ele, quebrar a tradicional formalidade a bordo – até então exigida pelo público de cruzeiros – foi outro ponto-chave para a adaptação das viagens da Island Cruises ao mercado brasileiro. “Nossos passageiros querem descansar, curtir as férias como se estivessem em casa. A tripulação acompanha esse clima informal”, ressalta.

Dentro desse clima de se sentir em casa, até a cerveja que se toma a bordo é brasileira – mesmo com todos os impostos que envolvem a operação, as marcas da preferência nacional se tornam soberanas mesmo em águas internacionais. Nas viagens para brasileiros, tradicionais cervejas americanas, irlandesas e belgas acabam estocadas no aguardo da próxima temporada européia.

Até ambulantes ganham mais

Enquanto o gigante com 185 metros de comprimento e massa equivalente a 40 mil toneladas fazia parte da paisagem de Canasvieiras, vendedores ambulantes associavam a imagem do navio à boa temporada de vendas que estão passando – afinal, eram cerca de 1,6 mil pessoas a mais desembarcando na já lotada orla do Norte da Ilha. Alguns ambulantes se alvoroçavam com a expectativa de prolongamento da temporada, como o vendedor de picolé Francisco Fernandes Soares. “Será que isso vai até muito depois do carnaval? Minha passagem já está comprada para o dia 5 de março”, indagava.

O motivo da procupação é que o verão em Florianópolis está sendo mais rentável que ele esperava. Francisco veio do interior de Goiás, onde trabalha na agricultura com a remuneração de R$ 10 por dia. “É um trabalho um bocado difícil e ingrato”, afirma. Na capital catarinense, trabalhando há pouco mais de um mês dele conseguiu reunir o montante de R$ 2 mil. Sua expectativa é dobrar o valor até a hora de ir pra casa.

Quem trabalha no local há mais tempo também avalia que a temporada está uma das melhores para quem trabalha diretamente na areia. A comerciante Suzana Gonçalves, com dez anos de experiência em Canasvieiras, afirmou que há mais pessoas. “Além disso, estão gastando um pouquinho a mais que no ano passado”, acrescenta.

Água salgada é tratada e utilizada na limpeza

Um navio de cruzeiro é regido por normais internacionais, o que lhe permite algumas regalias como cassino e dedução de determinados impostos nos produtos vendidos nas lojas internas. Ele também é equipado com um bom sistema de sustentabilidade – a água que não for usada para consumo humano vem do próprio mar, depois de passar por um processo de dessalinização. Este processo só não funciona em cruzeiros curtos, quando o período de adaptação da água acaba se tornando insuficiente. Neste caso, água é comprada nos portos.

Na parte de eliminação de resíduos, o lixo do navio é dividido em dois subgrupos principais. Restos de alimentos e demais biodegradáveis são o chamado lixo cinza, que pode ser triturado e lançado à água próximo às hélices, que espalham o produto, que serve de alimento para peixes. Já restos de produtos químicos, como os de limpeza, são o chamado lixo preto, e passam por um processo de neutralização, diminuindo “ao máximo” seus impactos ao meio-ambiente.
(André Lückman, A Notícia, 30/01/2007)

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