Voluntário recolhe lixo ao pé da ponte Hercílio Luz

Voluntário recolhe lixo ao pé da ponte Hercílio Luz

Junto ao Forte de Santana, na Avenida Beira-Mar Norte, um pequeno trecho de areia recebe atenção especial. Diferente de outros tempos, em que os canhões e soldados protegiam a cidade dos navios invasores que vinham do mar, os inimigos hoje são a poluição e o lixo. A ação de um bravo guerreiro solitário defende a prainha com vista privilegiada para o cartão-postal de Florianópolis, a Ponte Hercílio Luz.

Todos os dias Acioly Netto, 59 anos, sai de casa no bairro Cacupé e vai até o local para recolher o lixo que chega do mar e também é deixado por visitantes. São garrafas pet, plásticos, restos de isopor, pedaços de rede de pesca e até peixes e aves mortos.

O sonho do homem – formado em eletrônica e computação, mas “ecologista por religião”, como gosta de dizer –, é limpar o mar inteiro. Como não pode, fez da prainha do forte o seu cantinho modelo.

Quem caminha por ali até vai encontrar lixo, mas são os montes acumulados que Acioly faz questão de deixar expostos por alguns dias antes de recolher, para sensibilizar as pessoas:

– Eu converso com as crianças e com pescadores, para conscientizar sobre a importância de reciclar, dar um destino adequado ao lixo. Quero fazer deste lugar um exemplo.

Natural do Rio Grande do Sul, Acioly escolheu a prainha por ser um dos primeiros lugares que visitou quando chegou a Florianópolis, há 13 anos. Além de cuidar da prainha como um quintal, Acioly dá palestras em escolas. Ele explica que resíduos como restos de rede, por exemplo, não podem ser reciclados, apenas queimados para fazer fertilizante.

– As pessoas não pensam nas consequências de jogar lixo no mar – diz.

(DC, 11/12/2013)