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Opinião: A verdade sobre o Contorno

Artigo de Mario Cezar de Aguiar – Presidente da FIESC (Fiesc, 04/02/2019)

A obra do Contorno de Florianópolis é mais um exemplo de má gestão que envolve diversos atores. A conclusão prevista para 2012 foi postergada para 2017, e ainda não aconteceu. Otimistas estimam a entrega para final de 2021. Este panorama representa prejuízos consideráveis.

O trecho na Grande Florianópolis é destaque em acidentes no País, contribui para as mais de 8 mil internações e 1,5 mil óbitos no trânsito por ano. Do orçamento dos hospitais, 33% são gastos em acidentes. Em um cenário de guerra, vítimas ocupam emergências, adiando cirurgias eletivas.

A construção de um loteamento na faixa de domínio resultou na adição de cerca de 7,2 quilômetros de túneis, com custo estimado em R$ 800 milhões. Quem pagará a conta? O usuário.

Conforme a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), cada hora a mais de percurso adiciona R$ 100 no custo de um caminhão. Além disso, segundo a concessionária Arteris, o contorno desviaria 18 mil caminhões/dia da zona metropolitana. Esses números permitem estimar que o atraso gera um prejuízo diário de R$ 1,8 milhão, R$ 655,2 milhões anuais ou R$ 3,9 bilhões, se considerados os 6 anos de atraso da obra. Sem contar que em alguns horários são necessárias cerca de 3 horas para percorrer o trajeto. Adicione-se a tudo isso o estresse dos motoristas, aumento das emissões, ineficiência logística e pouca mobilidade urbana.

Por ser um eixo estratégico para o País e América Latina, desde 2014 a FIESC instituiu o Grupo de Trabalho BR-101 do Futuro, que tem contribuído com a discussão e propostas de melhorias da segurança e fluidez da BR-101 no trecho norte catarinense. O site Monitora FIESC acompanha pontualmente a obra e seus óbices.

No contexto, e sem querer apontar responsáveis pelo lastimável histórico dessa obra, a verdade é que o Brasil precisa ter maior responsabilidade com o interesse público. Por isso, a sociedade tem que estar atenta e exigir soluções para os entraves e garantir gestão responsável das obras em geral.

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