Liminar impede obra e supressão de vegetação em área verde no bairro Coqueiros
19/12/2018
Terras de marinha em Florianópolis: como um ativo pode se tornar um passivo
19/12/2018

Ponte Hercílio Luz: MPSC requer devolução de R$ 233,67 milhões por obra não concluída

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) requer a indisponibilidade de bens de 12 envolvidos – oito pessoas e quatro empresas – na execução e fiscalização dos serviços de recuperação da Ponte Hercílio Luz.

A ação civil pública por atos de improbidade administrativa com pedido de ressarcimento de R$ 233.675.518,92 aos cofres públicos foi ajuizada, no final da tarde de segunda-feira (17/12), pela Promotora de Justiça Darci Blatt, titular 26ª PJ da comarca da Capital.

O pedido liminar de bloqueio de bens valor de R$ 233.675.518,92 tem como objetivo garantir a devolução dos prejuízos provocados ao erário pelos seguintes envolvidos:

– Romualdo Theophanes de França Júnior, ex-presidente do Deinfra;

– Paulo Roberto Meller, ex-presidente do Deinfra;

– Wenceslau Jerônico Diotallévy, engenheiro e servidor do Deinfra;

– Antônio Carlos Xavier, engenheiro e servidor do Deinfra;

– Nelson Luiz Giorno Picanço, engenheiro ex-servidor do Deinfra;

– Lyana Carrilho Cardoso, Assistente Jurídica do Deinfra;

– PROSUL – Projetos, Supervisão e Planejamento Ltda;

– Concremat Engenharia e Tecnologia S/A;

– Wilfredo Brillinger, engenheiro;

– Construtora Espaço Aberto, compõe o consórcio Florianópolis Monumento;

– CSA Group INC, compõe o consórcio Florianópolis Monumento;

– Paulo Ney Almeida, arquiteto.

Na ação, a Promotora de Justiça demonstra que em dois dos 11 contratos celebrados de 1990 até 2006 há uma série de ilegalidades. No contrato nº 264/2008 firmado com a Consórcio Florianópolis Monumento e no contrato nº 170/2006 celebrado com o Consórcio Prosul/Concremat, os aditivos (alteração no contrato) ofenderam expressamente o limitador de 25% previsto pela Lei de Licitações. Em um dos contratos, o valor inicial do serviço contratado subiu 52,58% e no outro 73,1%.

A Promotora de Justiça explica que os aditivos tiveram anuência do Deinfra (ex-presidentes Paulo Meller e Romulado Thophanes, entre outros) e também parecer jurídico do órgão com base em decisão inexistente do Tribunal de Contas do Estado. “Não há dúvidas de que houve grave descaso com o dinheiro público, mormento no que diz respeito aos agentes políticos e servidores públicos que tinam a função precípua de zelar pelo dinheiro público”, escreveu Darci Blatt na ação.

A falta de cuidado com o dinheiro público também está evidente na ausência de fiscalização na execução do contrato e da não aplicação das multas contratuais. Auditoria do Tribunal de Contas mostra que em nenhum momento houve atrasos significativos no pagamento ao Consórcio Florianópolis. No entanto, o Consórcio não entregou nem 50% das obras para as quais foi contratado. “O cenário é ainda mais alarmante se considerarmos que do prazo de 1.260 dias, a ponte deveria ser entregue para o uso no ano de 2012”, ressalta a Promotora de Justiça.

Além da afronta à lei de improbidade e aos princípios da Administração Pública, Darci também sustenta que houve enriquecimento ilícito dos envolvidos, uma vez que diversos serviços foram pagos e não realizados. “Passados mais de nove anos entre a celebração do primeiro contrato, qual seja, o de supervisão ( nº 170/2006 ), e o respectivo término de sua vigência em fevereiro de 2015, não foram entregues nem 50% da obra para a qual foram contratados os consórcios Florianópolis Monumento e Prosul/Concremat”, explica.

A ação está agora sob análise do Juiz de Direito da Vara da Fazenda Pública da comarca da Capital.

(MPSC, 18/12/2018)

mm
Monitoramento de Mídia
A FloripAmanhã realiza um monitoramento de mídia para seleção e republicação de notícias relacionadas com o foco da Associação. No jornalismo esta atividade é chamada de "Clipping". As notícias veiculadas em nossa seção Clipping não necessariamente refletem a posição da FloripAmanhã e são de responsabilidade dos veículos e assessorias de imprensa citados como fonte. O objetivo da Associação é promover o debate e o conhecimento sobre temas como planejamento urbano, meio ambiente, economia criativa, entre outros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *