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Durante lançamento do Observatório da Gastronomia, consultora da OMC afirma que sem dados não há políticas públicas

Com um discurso potente sobre a relação entre gastronomia, criatividade, cultura e educação, a consultora em políticas públicas para economia criativa pela Organização Mundial do Comércio (OMC), Cláudia Leitão, sinalizou o potencial do Observatório da Gastronomia, lançado na noite de segunda-feira (28), em Florianópolis.

 

Presidente da Associação FloripAmanhã, Anita Pires; presidente do sistema Fecomércio, Bruno Breithault (esq) e o diretor regional do Sesc/SC, Rudney Raulino.

Para selar a parceria na gestão do projeto, representantes do Sistema Fecomércio SC Sesc/Senac e FloripAmanhã assinaram um termo de cooperação.

“O Observatório da Gastronomia é uma extraordinária ferramenta de qualificação da cadeia produtiva da alimentação”, avalia a presidente da Floripamanhã, Anita Pires. “Esta plataforma é resultado de uma construção coletiva envolvendo universidades, entidades empresariais, a Confraria Florianópolis Cidade da Gastronomia, com o apoio fundamental técnico e financeiro da Fecomércio, Sesc e Senac, numa gestão conjunta com a Associação Floripamanhã”, complementa.

Gastronomia como ativo estratégico

Importância da formação de profissionais- da cozinha a gestão, linhas de crédito para fomento do setor, legislação que permita que este setor da economia avance e a necessidade de dados confiáveis permearam a palestra. “Sem dados não há políticas públicas. Daí a importância da pesquisa para os governos e o papel das universidades, para que possamos transformar dados em políticas, programas, ações. A gastronomia é uma atividade econômica pouco compreendida para as políticas públicas do Brasil. O país ainda não assumiu a agenda da economia criativa. O desafio de Florianópolis agora é pensar a gastronomia como ativo econômico e estratégico, como um setor fundamental da economia”, pontua. Segundo a Doutora em Sociologia pela Sorbonne, a criatividade adjetiva o estilo de desenvolvimento de vários países, a exemplo da Austrália, Portugal e Peru.

O Observatório integra as ações da chancela conquistada por Florianópolis de Cidade Criativa Unesco da Gastronomia, há quatro anos, e traz um mapeamento das informações relacionadas à rede produtiva da cidade.  No Brasil, apenas Paraty (RJ) e Belém (PA) têm o título internacional.  Shunde (China), Tsuruoka (Japão), Popayán (Colômbia), Zahlé (Libano), ChengDu (China), Jeonju (Coréia do Sul) e Östersund (Suécia) integram este seleto grupo.

No site do observatório é possível acessar gratuitamente indicadores, relatórios, banco de imagens, produção acadêmica e videoteca. Conforme a gestora da plataforma digital, Nathalia Bernardinetti, do Senac SC, “a ferramenta servirá de base para a geração de conhecimento, fomento de políticas públicas e estímulo à cadeia produtiva da Região Metropolitana de Florianópolis”.

Os próximos passos são o fortalecimento de parcerias com instituições envolvidas com a rede produtiva da gastronomia, e a estruturação de um grupo de pesquisa multidisciplinar, envolvendo todos os atores para compreender o setor e, assim, planejar ações assertivas para a gastronomia. “Também vamos buscar parcerias com os outros Observatórios no Brasil e do mundo que têm o foco na Gastronomia e Alimentação para compreensão, fortalecimento e desenvolvimento do setor”, destaca Nathalia.

Viagem pela cronologia

Para reverenciar a gastronomia local, um time de chefs se reuniu sob a coordenação de Narbal Corrêa, coordenador da Confraria Florianópolis Cidade da Gastronomia, para assinar o menu no lançamento, que propôs  uma viagem na cronologia gastronômica de Florianópolis. O menu foi elaborado considerando hábitos alimentares de diferentes períodos históricos, iniciando com o Homem do Sambaqui e chegando a Florianópolis Cidade Criativa Unesco da Gastronomia.

A degustação contou com 30 itens, servidos no sistema finger food. Entre eles, ostras “in natura” representando os sambaquieiros (6200 AP), feijão marumbé com ovas de tainha defumadas, que remete aos primeiros ceramistas (2000 AP), ceviches dos Carijós (século XVI) e bolinhos do período pós-cabralino.

Maricultura: tesouro da gastronomia local

O Estado é o segundo maior produtor de ostras da América Latina, ficando atrás apenas do Chile, e hoje responde por 98% da produção nacional.

Em 2017, Florianópolis foi a que mais contribuiu para a produção total do molusco no Estado, com quase duas toneladas e movimentação de cerca de R$ 11,5 milhões, de acordo com o Centro de Desenvolvimento de Aquicultura e Pesca – CEDAP, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri). A produção de moluscos comercializados (mexilhões, ostras e vieiras) por Santa Catarina somou 13.567 toneladas no ano passado, gerando uma receita bruta estimada em R$ 66.229.093,67 para o Estado, envolvendo diretamente mais de 550 maricultores, distribuídos em 10 municípios do litoral, entre Palhoça e São Francisco do Sul.

Com informações da Fecomércio

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