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Horta funciona como agente transformador no Morro do Horácio, em Florianópolis

Um espaço de aprendizado e lazer que apresenta uma nova perspectiva para as crianças do Morro do Horácio, no maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis. Assim, desde março, um projeto de agricultura urbana voltado a 90 crianças e adolescentes mostra que é possível resignificar o espaço de uma comunidade muitas vezes marcada pela violência, carente de bons exemplos e de apoio da sociedade e do poder público. É bem verdade que ali, no alto do morro, a ONG Gente Amiga já propõe atividades lúdicas e técnicas desde 2004. Mas, em tempos de liberação do uso indiscriminado de agrotóxicos nas plantações Brasil afora, é louvável a iniciativa de uma horta comunitária que, de quebra, trabalha a educação ambiental.

O espaço, que antes era um terreno baldio que havia virado depósito informal de lixo, hoje tem compostagem orgânica e canteiros repletos de hortaliças, verduras, legumes e árvores frutíferas. Além disso, muitos dos instrumentos utilizados na horta – regadores, suportes para germinação e placas de aviso – são objetos reciclados. Para a diretora da ONG Gente Amiga, Solange Tadeu di Foggi, iniciativas como esta contribuem para afastar as crianças da violência urbana.

– A dificuldade (de lidar com a violência) não é só aqui do morro, está em toda Florianópolis. Cada criança aqui tem pelo menos o sonho de um futuro melhor, e a gente fica agraciado.

A horta também é um trabalho de resgate da comunidade, porque aqui antigamente tinha muita plantação.

Garotada adora pôr as mãos na terra
Não precisa nem dizer que os pequenos adoraram a iniciativa. Johnny, Taiane e Estefani eram os mais animados no dia em que a reportagem visitou o projeto.

O garoto ficou todo orgulhoso ao contar que o pai é engenheiro agrônomo e já havia lhe ensinado algumas coisas. As meninas, por sua vez, estavam empolgadas com as primeiras oportunidades de mexer na terra.

– A gente nunca tinha feito isso, estamos gostando muito. É divertido plantar, brincar na terra, a gente se suja… o mais legal é plantar alface, porque é bom e cresce rápido – comentam as meninas.

– Eu também faço aula de informática na ONG. É legal, mas fica um pouco cansativo quando a gente passa a tarde no computador. Gosto mesmo é de vir aqui na horta, principalmente de plantar as frutíferas, porque a gente pode acompanhar elas crescendo e depois comer as frutas – conta Johnny.

Iniciativa é de alunos da UFSC
A ideia de montar uma horta no espaço abandonado partiu da ONG Gente Amiga e de um professor de informática, que também é estudante de Geografia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele inscreveu a horta no Horácio como projeto de extensão e conseguiu uma bolsa mensal no valor de R$ 420, que é dividida com um colega do projeto.

– Sempre foi muito difícil tirar elas (crianças) da informática. Agora, vivem perguntando se “hoje” vai ter horta. Quando respondo que é aula de informática, eles lamentam – conta Gabriel Pacheco, de 31 anos, o coordenador da horta.

O amor das crianças pelo espaço ficou evidente no dia em que elas, por espontânea vontade, fizeram um mutirão para recolher todo o lixo que havia sido jogado no terreno. Com a área limpa, ganhou ares de educação, lazer e terapia.

– Isso aqui era tudo mato, cheio de lixo. É inacreditável a transformação que aconteceu. O pessoal está vendo o que está acontecendo… é uma transformação social que toda a comunidade acaba se envolvendo – destaca Luiz Paulo Ferreira, 30 anos, colega de Gabriel no projeto e na universidade.

Toda colaboração é bem-vinda
De fato, a comunidade tem, aos poucos, se envolvido com o projeto. Algumas mães já doaram mudas e sementes, outras perguntam quando haverá um mutirão para ampliar a horta. A ideia, de acordo com a diretora da ONG Gente Amiga, é realizar um evento comunitário neste segundo semestre de 2018.

– O projeto também é um apoio para as famílias. Se um dia a gente chegar a ter uma horta que dê o sustento da ONG (alimentação das crianças) e tenha excedente, a comunidade pode aproveitar – sonha Solange.

Ainda que a iniciativa esteja fazendo sucesso entre as crianças e os moradores do Morro Horácio, há carência de diversos materiais e utensílios. O carrinho de mão, por exemplo, foi encontrado em um lixo e está sem a roda. Os instrumentos para capinar e arar foram doados pelos coordenadores do projeto, já que não havia verba para aquisição.

Assim, toda ajuda é bem-vinda. Quem quiser contribuir para a ação com doação de materiais, plantas, sementes ou até mesmo apoio financeiro, pode entrar em contato pelo e-mail genteamiga@gmail.com ou ligar (48) 3223-6553.

(Hora de Santa Catarina, 19/07/2018)

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