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Pescadores questionam o novo prazo de entrega do trapiche do João Paulo, em Florianópolis

O trapiche da praia do João Paulo, em Florianópolis, é mais uma obra pública que não deve ser entregue no prazo estipulado. A construção que começou no dia 26 de setembro de 2017 tem prazo para terminar no dia 22 de julho de 2018, a pouco mais de um mês. Nesta terça-feira (19), os poucos funcionários da empresa Concretil Engenharia Ltda. estavam de braços cruzados à espera da cheia da maré para voltar ao trabalho. Além disso, a balsa com problemas e os poucos materiais à disposição atrasam a conclusão do trapiche. O presidente da Associação dos Pescadores Artesanais das Praias do João Paulo e do Saco Grande, Silvani Ferreira, quer saber qual é o novo prazo para a conclusão da estrutura. A prefeitura promete entregar antes da temporada de verão.

O projeto prevê a construção de um trapiche de 210 metros de extensão, com 3,75 metros de largura e dois metros de altura. O problema é que ainda falta estaquear 82 metros da estrutura. “Pela lentidão da obra, o trapiche não ficará pronto no prazo estipulado. Enquanto isso, as 87 famílias de pescadores continuam transportando os pescados pelo lodo formado pela poluição. Isso já virou um caso de saúde pública, porque não existe coleta e muito menos tratamento do esgoto”, afirmou Silvani.

A maior parte dos recursos da obra, avaliada em R$ 2,7 milhões, é de origem do governo federal. Em função do atraso de uma parcela, a obra chegou a ser paralisada durante um mês, em março. A construção retornou em ritmo lento e parte da estrutura do piso do trapiche começou a ser colocada.

Pela própria observação do pescador Ledenir Idalicio Pereira, 58 anos, os materiais chegam a conta-gotas. “Hoje [terça-feira], a empresa onde os materiais são comprados entregou um metro de areia, duas sacas de cimento e quatro placas da laje. Parece que eles só entregam uma quantidade após o pagamento. O problema é que nesta semana ninguém está trabalhando, com a justificativa da maré baixa”, lamentou.

A obra também prevê a instalação de uma “linha flutuante”, ou seja, um equipamento que acompanhará o movimento da maré. Esse equipamento será fixado ao trapiche e facilitará o embarque e desembarque de pessoas e a carga e descarga dos produtos relativos à pesca.

Pescadores esperam há duas décadas

Vivendo exclusivamente da pesca, Ledenir Idalicio Pereira lamenta o atraso na construção do trapiche. A obra é uma reivindicação de duas décadas dos 87 pescadores das praias do João Paulo e do Saco Grande. O problema se agravou com a falta de saneamento básico, que transformou parte da areia da praia em lodo.

Pereira lembra a época que em período de maré baixa a praia virava um campo de futebol, que foi ocupado pela lama. “Para o pescador, a situação só piora. A pesca industrial captura os grandes lanços e não encontramos apoio para a manutenção da atividade em nenhum órgão. Imagina transportar mais de 50 quilos de pescado, quando você afunda no lodo acima da altura dos joelhos”, disse. Empurrando a bateira sobre a lama de esgoto, o pescador Walter Silva Júnior, 47, também sofre a cada vez que segue ao mar.

Maré baixa e burocracia são entraves

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Infraestrutura da Capital informou que a obra não está parada. Conforme a secretaria, o trapiche estará pronto e será entregue à comunidade antes do verão, porque depende da condição climática.

“O que acontece é que dependemos da maré para a colocação das vigas, porque a balsa encalha. A liberação de recurso depende da Caixa Econômica Federal, porque é o órgão responsável pelas vistorias. Por ser um recurso federal, a burocracia é maior, mas está cumprindo com o pagamento”, diz a nota. O setor de comunicação afirmou que ainda nesta semana chegará mais material, que vem aos poucos, de acordo com a demanda, por conta da capacidade do espaço físico.

(ND, 20/06/2018)

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