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Moradores do Campeche reclamam de obras no antigo Campo de Aviação

Moradores do bairro Campeche, no Sul da Ilha, estão preocupados com uma escavação que está sendo feita na região do antigo Campo de Aviação. A área pertence à Base Aérea, mas uma parte dela foi tombada como patrimônio histórico municipal em 2014 e a comunidade espera que o local seja transformado em área de lazer para uso público.

De acordo com o presidente da Amocam (Associação de Moradores do Campeche), Alencar Vigano, uma vala enorme foi aberta com o uso de uma retroescavadeira na tarde desta quinta-feira (21). “Sabemos que a Aeronáutica é dona do local e eles alegam que estão cuidando da área, mas entendemos que há outras maneiras de delimitar o local e evitar a circulação de pessoas, se é isso que querem, sem derrubar árvores e a vegetação”, diz Vigano.

O presidente da Amocam disse que entrou em contato com o departamento jurídico da Base Aérea, mas que ninguém conseguiu lhe explicar o que está sendo feito no local. “O que espanta é o modo como está sendo feito, pois em março pedimos autorização para fazer um piquenique da comunidade no local e nos foi negado. E agora abrem uma vala. Então que cuidado é esse?”, questiona.

A área de 352 mil m², que servia de pouso e decolagem de aviões na década de 1920 e foi o primeiro aeroporto de Santa Catarina, é alvo de luta da comunidade para que seja preservada como parte da história da cidade e sirva de lazer.

Em 2014, a prefeitura tombou o conjunto que fica na avenida Pequeno Príncipe por meio do decreto nº 13.707, como patrimônio histórico, artístico, paisagístico e cultural. A área está sob administração da Base Aérea de Florianópolis desde 1948 e apenas parte do terreno foi tombada (129 mil m²) e deveria ser cedida ao município para a construção do Parque Cultural do Antigo Campo de Aviação do Campeche. Esse é o desejo da comunidade, mas não há prazo para virar realidade.

Por meio de assessoria, o Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) informou que a área é federal, comandada pela Base Áerea, e ainda não foi cedida para a prefeitura. Portanto, a responsabilidade sobre o que ocorre no local é da Aeronáutica. “O tombamento não altera o título de propriedade de um terreno. Nada pode ser feito enquanto a Base Aérea for a proprietária e não tomar uma decisão sobre qual destino pretende dar àquela área”, explica o assessor.

A reportagem do ND procurou a Base Aérea para comentar o ocorrido, mas não houve êxito nos contatos.

(ND, 21/06/2018)

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