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Cultura flexível, qualidade de vida e universidades fazem startups florescerem em Florianópolis

Em Florianópolis, a mistura de boas opções de ensino universitário, praias e boa qualidade de vida permitiram o florescimento de uma cultura empreendedora.

A cidade foi eleita, nos últimos três anos, como a segunda melhor para se abrir uma empresa no Brasil, atrás apenas de São Paulo. O ranking é da ONG internacional Endeavor, de apoio a negócios de impacto.

“O criativo, geralmente, tem outros valores além do dinheiro. Quer ser feliz, morar em um lugar agradável”, diz Eduardo Fiates, da Fundação Certi (centro de pesquisa e desenvolvimento).

A trajetória do empresário Victor de Oliveira, 28, sócio da desenvolvedora de aplicativos Cheesecake Labs, exemplifica essa busca por um trabalho mais livre e flexível.

Depois de trabalhar por quase um ano em San Francisco (principal berço de empresas de tecnologia no Ocidente) e de ter sido um dos dez primeiros funcionários da Uber, ele voltou à cidade para ficar com a família e a namorada.

Enquanto bolava seu próprio negócio, tocava saxofone na noite usando saias. “Desconstruíamos conceitos”, diz.

Com camisa de manga curta e calçando apenas meias durante entrevista em seu escritório, ele diz que a cidade, por atrair universitários de outras regiões, favorece a criação de laços entre eles e forma uma comunidade que se ajuda no dia a dia.

Dos 30 colegas de seu curso de engenharia de automação e controle na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), dez trabalharam em sua startup. Seus sócios na empresa foram todos colegas de quarto em uma república, conta.

As paredes da companhia misturam fotos de novos funcionários com textos contando suas histórias, réplicas de obras de arte e pôsteres de personagens da cultura geekie, como Goku, da série animada japonesa Dragon Ball. Os funcionários não têm hora de entrar e sair, e dizem que levam bronca se exagerarem na carga horária.

“Floripa é parecida com San Francisco, lugar onde há uma cultura hippie, um modo de vida mais flexível, que favorece a inovação”, diz Victor.

A empresa, aberta no final de 2013, tem 50 funcionários e oito vagas para preencher. Atende principalmente a clientes dos Estados Unidos e planeja abrir seu segundo escritório no Recife.

Essa cultura colaborativa incentiva e ajuda a formar novos empresários.

João Selarim, 29, sócio da Total Voice, de tecnologia para serviços de telefonia, conta que, enquanto começava sua empresa, participava semanalmente de eventos, happy hours ou almoçava com alguém de uma companhia mais madura para conversar e aprender.

Também participou de programa de formação para startups do Sebrae em 2015. Nele, 30 companhias têm acesso a cinco meses de palestras temáticas com profissionais de destaque, a maioria do mercado local. As atividades ocorrem aos sábados e são gratuitas.

“Aqui, o pessoal é muito aberto, é comum as pessoas se ajudarem”, diz Alexandre Souza, gestor do Startup SC. Ele estima que, em todo o estado de Santa Catarina, haja cerca de 1.500 empresas iniciantes de tecnologia.

VAGAS ABERTAS

A efervescência do setor faz com que contratar se torne um desafio, contrastando com os índices de desemprego nacionais de 13%.

No caso da Resultados Digitais, de tecnologia para automatizar o uso de ferramentas de marketing por pequenas empresas, são 700 funcionários e 1.000 vagas abertas, diz Bruno Ghisi, sócio da empresa.

“Não dá para falar muito nas posições que temos abertas. Basicamente, se chega alguém bom, contratamos”. Os recursos vêm, principalmente, de aporte de US$ 19,2 milhões que a startup recebeu do grupo americano TPG.

Como atrativo, a empresa oferece escritório com ar descontraído, com espaços de trabalho sem paredes, mural em que os funcionários deixam anotados suas tarefas, refeitório com comida à vontade, sala para cochilo e um escorregador que desce de um andar para o outro.

A opção tem sido trazer mão de obra de fora. Além das diversões nos escritórios descolados, a maioria das empresas faz questão de lembrar a boa qualidade de vida na cidade, para atrair pessoas de outros locais, diz Daniel Leipnitz, presidente da Acate (associação do setor de tecnologia).

“Temos gente de Minas Gerais, Manaus, Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul”, diz Victor Oliveira, da Cheesecake Labs. A maioria dos funcionários da empresa veio de fora.

(Folha de São Paulo, 29/04/2018)

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