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UFSC inicia obras das Rotas Acessíveis

Um projeto que fez “brilhar os olhos” dos engenheiros, arquitetos e urbanistas do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia (Dpae) da UFSC, além de ser reivindicação antiga de toda uma comunidade e priorizado pela Administração Central, o Rotas Acessíveis começa a tornar-se realidade no campus UFSC Trindade. As obras começaram no dia 8 de janeiro e a expectativa é de realização em duas etapas, durante todo o ano.

A primeira etapa, já iniciada, tem previsão de término em maio, e engloba passeios desde a Reitoria até o Restaurante Universitário, passando em frente ao Centro de Cultura e Eventos, com a inclusão de faixas elevadas na via onde transitam carros. A segunda etapa, que deverá ser licitada ainda em 2018, inclui passeios entre a Reitoria e a Biblioteca Central, uma alteração no ponto de ônibus, reformas nos passeios e um trecho de ciclovia até a rótula da Trindade, onde atualmente está situada a Secretaria de Segurança, com a construção de uma guarita naquela entrada para o campus.

Além de implantar mudanças nas rotas mais utilizadas por pedestres, ciclistas e cadeirantes, o Rotas Acessíveis é um projeto-piloto, que estabelece diretrizes a serem seguidas nas próximas construções e reformas, passíveis de serem replicadas nos demais campi e unidades da UFSC.

O secretário de Obras, Manutenção e Ambiente (Seoma), Paulo Roberto Pinto da Luz, aponta que a intenção é aliar o projeto às contrapartidas pactuadas entre a UFSC e a Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF), quando da assinatura da cessão do terreno para a duplicação da rua Antonio Edu Vieira, em 2016. Dentre as contrapartidas estão a melhoria das vias internas da UFSC e a implantação de um projeto cicloviário.

“A ideia é começar a melhorar nossos passeios. O projeto-piloto prevê melhorias nas calçadas, iluminação e espaço para instalação de câmeras de videomonitoramento. O objetivo é continuar, ir aos poucos melhorando toda a Universidade. Depois dessas primeiras etapas, vamos avaliar quais são as dificuldades e limitações e ir adaptando para continuar fazendo por toda a UFSC. É um investimento no futuro da Universidade, muito defendido pelo reitor Luiz Carlos Cancelier,” salienta Paulo Roberto.

A implantação da primeira etapa do projeto foi possível graças à verba de R$ 1 milhão, recebida pela UFSC por meio de emendas parlamentares. O coletivo Por Uma UFSC Inclusiva e a Coordenadoria de Acessibilidade Educacional da Secretaria e Ações Afirmativas e Diversidades (CAE/Saad) também tiveram participação no projeto.

Mobilização

A demanda por melhor acessibilidade nos passeios do campus é antiga, segundo conta a diretora do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia (Dpae) da UFSC, Vanessa Mendes Argenta. A equipe do departamento é muito requisitada para planejar as edificações necessárias para as atividades da Universidade, e raramente sobra tempo para debruçar-se sobre projetos abrangentes como as alterações nos espaços abertos e de convivência. No entanto, quando foi solicitada para planejar as Rotas Acessíveis, a equipe toda se envolveu.

Além de melhorar os passeios, com a adição de piso tátil para pessoas cegas ou com baixa visão, o projeto inclui faixas elevadas para travessia de pedestres, melhorias e ampliação dos bicicletários, iluminação, infraestrutura de cabeamento, espaços de convivência, passeios mais largos, pavimento anti-derrapante, criação de faixas de serviço, passeio compartilhado entre pedestres e ciclistas, sinalização, entre outros.

“Desde 2008, as novas edificações da UFSC são acessíveis. Mas sempre existiu uma preocupação em ter acessibilidade nos passeios. Essa demanda, quando veio do Gabinete como prioridade, foi para nós como uma benção, porque era algo que a gente sempre quis atender e nunca tinha tempo”, relata. A diretora conta que o Dpae deu prioridade para o projeto das Rotas Acessíveis, mobilizando toda a equipe. “Deixamos de atender algumas demandas importantes, porque nossa equipe é limitada. O projeto envolveu nossos urbanistas, arquitetos, engenheiros civis, engenheiros eletricistas, e todo o departamento para ficar pronta em tempo. Fizemos de tudo para o projeto sair e ser licitado em 2017, para aproveitar o recurso que estava disponível”, acrescenta.

“Temos muito orgulho, o projeto ficou muito bom,” elogia Vanessa. O arquiteto e urbanista do Dpae, Igor Tadeu Lombardi de Almeida, que assinou o projeto, apresentou a ideia para a Administração Central e foi recebido com entusiasmo. “O Rotas Acessíveis deu um upgrade nos projetos que a UFSC faz. Apresentamos para o Gabinete e teve um retorno muito bom, brilhou os olhos e deu vontade de fazer uma UFSC toda assim”, conta a diretora. “Não adianta ser acessível e alagar, ou ter caixas de passagem de infraestrutura atrapalhando, então tudo isso foi pensado pela nossa equipe. A parte de infraestrutura fica fora do passeio, que fica liberado para os pedestres. Em algumas áreas não é necessário ter o piso-guia, segundo a norma de acessibilidade. Além disso pensamos na drenagem de água e nas preservação das árvores do campus”, complementa Vanessa.

O investimento de R$ 1 milhão não foi suficiente para levar o projeto a todo o campus, por isso foi denominado projeto-piloto, com o trecho entre a rótula da Trindade e o RU, passando pela BU, Reitoria e Centro de Eventos, regiões centrais, que possuem as edificações da UFSC com o maior fluxo de pessoas.

“Fazendo isso na centralidade da UFSC conseguimos ter uma cara de como os caminhos devem ser a partir de agora. Está tudo totalmente dentro da norma, foi feito um estudo bem abrangente e a ideia é que a cada nova obra, vamos fazendo mais um trecho de passeios dentro desse padrão, para que aos poucos tenhamos um campus todo interligado e acessível. As diretrizes são as mesmas para todos os campi, ois são diretrizes básicas de desenho universal e de acessibilidade”, ressalta a diretora.

O arquiteto responsável, Igor Almeida, comemora a oportunidade de trabalhar em um projeto para melhorar o espaço coletivo. “Os prédios e os estacionamentos há muito tempo são prioridades, então é muito bom pensar o pedestre, o acesso para quem tem restrição de mobilidade, os cadeirantes, os ciclistas. Foi um primeiro passo para se pensar mais nos espaços públicos. O campus tem um potencial gigantesco de um espaço urbano comunitário. Podemos agora juntar as qualidades do nosso campus com projetos de urbanização, qualificar o espaço público que temos”, destaca.

Praça da Cidadania

A intervenção das Rotas Acessíveis na Praça da Cidadania, projeto do paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx, foi a mínima possível. Para planejar os passeios ao redor da Reitoria, a equipe consultou José Tabacow, um dos projetistas da Praça da Cidadania que trabalhou com Burle Marx e que atualmente vive em Florianópolis.

“Não poderíamos interferir diretamente na Praça, isso seria outro projeto. O que fizemos foi modificar o mínimo possível, utilizando material que é da mesma cor da pedra portuguesa existente, apenas abaixo da marquise do prédio da Reitoria. Será uma composição que não descaracteriza o restante da praça, que vai ter que passar por todo um processo de restauração”, explica Igor.

“A demanda de revitalização da Praça é algo que estamos estudando com o Gabinete, também como um projeto importante de resgate do patrimônio. Será algo para mais adiante, será necessário estudar uma série de questões sobre o trânsito de veículos, sobre resgatar o projeto inicial ou adotar as mudanças que surgiram com o tempo”, complementa Vanessa, diretora do Dpae.

Queda de árvores

Durante as fortes chuvas em janeiro deste ano, 11 árvores caíram próximas à área onde está sendo construído um trecho do projeto Rotas Acessíveis. Vanessa esclarece que a retirada dessas árvores não foi planejada. “No projeto não previmos essa retirada de árvores. Até tínhamos uma ideia de fazer um trecho mais largo ali, mas desistimos inclusive para não precisar retirar as árvores que ali estavam. Agora estamos em contato com a Coordenadoria de Gestão Ambiental para avaliar as outras árvores que porventura estejam com possibilidade de cair, investigar por que caíram e se as outras árvores ali presentes oferecem risco. Nossa ideia é substituir com espécies nativas, estamos estudando. Esse caminho entre a Reitoria e a BU, com as árvores dos dois lados é um xodó de quase todo mundo na UFSC, não tem porque não recuperá-lo”, pontua a diretora do Dpae.

A implantação das Rotas Acessíveis está sendo fiscalizada pelo Departamento de Fiscalização de Obras (DFO), e, segundo o diretor Rodrigo Bossle Fagundes, exige um cuidado especial, já que o canteiro de obras não é apenas em um único local. “É um canteiro que vai andando, então estamos tendo que tomar cuidado com o isolamento da área. Tivemos problemas com as chuvas, os ventos que não estavam no planejamento, e também com o trânsito de pessoas. É uma área com bastante interferência e bastante circulação, mas é um projeto muito motivador, que vai impactar a UFSC como um todo. É algo novo que vamos procurar aperfeiçoar para continuar replicando”, reforça.

Saiba mais:

Matéria da TV UFSC sobre as Rotas Acessíveis: https://youtu.be/s4FOdPOrfVw

(UFSC, 06/02/2018)

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