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Tese investiga relação entre obesidade e depressão nos idosos de Florianópolis




Tese desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGN-UFSC), com base nos dados do estudo EpiFloripa Idoso, vinculado ao departamento de Saúde Pública da UFSC, teve como objetivo investigar a associação entre obesidade, mudanças antropométricas e sintomas depressivos em idosos da cidade de Florianópolis, Santa Catarina.

O trabalho foi realizado pela doutora em nutrição, Vanessa Fernanda Goes, sob orientação da professora Elisabeth Wazlawik, em parceria com os professores, David Alejandro González Chica, da Universidade de Adelaide, Austrália e Albert Navarro, da Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha. A tese foi apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da concessão de bolsas de doutorado no Brasil e no exterior, respectivamente.

A pesquisa foi realizada com uma amostra de 1.702 idosos residentes em Florianópolis, entrevistados em seus domicílios em 2009 e 2010, e avaliados novamente em 2013 e 2014. Os idosos responderam a escala de depressão em geriatria para verificação de sintomas depressivos. As medidas de peso, altura e circunferência da cintura foram aferidas pelos entrevistadores.

Na primeira avaliação, 23,3% dos idosos apresentaram sintomas depressivos. Durante os 4 anos, 11% daqueles que não tinham sintomas em 2009 e 2010, foram identificados com sintomas depressivos, sendo a maioria mulheres. Quase a metade dos idosos apresentava-se com sobrepeso (45%) e um terço era obeso. Além disso, verificou-se um aumento da obesidade abdominal, principalmente nas mulheres, quando se comparou os resultados da trajetória da circunferência da cintura ao longo dos anos com estudos anteriores.

Os idosos com obesidade severa, em sua grande maioria, eram acometidos por sintomas depressivos. Já aqueles que apresentavam sobrepeso e valores intermediários de circunferência da cintura tiveram menor risco de desenvolverem sintomas depressivos durante os quatro anos. Além disso, foi verificado que dentre os que tinham sobrepeso, a manutenção ou mudança do peso para normalidade reduziu o risco de sintomas depressivos.

Os resultados também sugeriram que a redução de peso nos idosos com peso dentro da normalidade, pode ser um fator de risco para sintomas depressivos. E ao avaliar os fatores que influenciam na trajetória das mudanças antropométricas, foi observado que o estado civil e a escolaridade foram fatores que influenciaram na redução do peso nos homens, aqueles com baixa escolaridade e que não eram casados, apresentaram maior redução.

Os resultados do estudo desenvolvido pela pesquisadora Vanessa Goes ressaltam que, ao cuidar do indivíduo idoso são necessárias estratégias que levem em consideração tanto a dimensão física, quanto a psicológica e social do indivíduo. O monitoramento do peso corporal, juntamente com as estratégias para evitar a redução do peso naqueles com peso normal ou o desenvolvimento de obesidade severa, poderiam auxiliar na prevenção e diagnóstico de sintomas depressivos, sendo imprescindível considerar a condição sociodemográfica na prática clínica, e o desenvolvimento de políticas públicas para população idosa.

O estudo EpiFloripa 2009/2010 foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

(Ufsc, 09/10/2017)



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