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Português fala em Florianópolis sobre desafios das gestões públicas municipais




Da Coluna de Fabio Gadotti (Notícias do Dia, 09/09/2017)

ENTREVISTA/FERNANDO NUNES DA SILVA, professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa

Com passagem pela Câmara de Lisboa e pela Secretaria de Mobilidade e Transportes da capital portuguesa, o professor Fernando Nunes da Silva compartilhou experiências sobre gestão pública durante a semana em palestra no Teatro Pedro Ivo. Ele defendeu uma “visão sistêmica”da cidade, que evite desequilíbrios nos resultados das políticas públicas em diferentes regiões. “A visão deve ser integradora”, afirmou o doutor em engenharia civil e professor titular de urbanismo e transportes.

Com sua experiência em gestão pública em Lisboa, o que o senhor considera prioritário?
A principal questão é ter uma visão sistêmica da cidade e do território, porque muitas vezes temos uma perspectiva muito setorializada que pode ter efeitos muitos negativos em outros setores e contraditórios diante dos objetivos iniciais.

Os diversos setores têm que conversar mais?
Sim, mais integração e uma direção política mais clara e que seja traduzida em áreas de intervenção prioritárias e coerentes entre si. E, por outro lado, entender muito bem quais os setores que podem ser estruturantes da mudança. Por exemplo, hoje em Lisboa todos os cinco partidos que estão concorrendo às eleições apresentam como prioritários os mesmos aspectos: habitação, transportes e uma administração mais moderna e transparente.

Existe uma discussão aqui sobre a diminuição do número de carros nas ruas, especialmente nas regiões centrais. Como o senhor vê esta questão?
Era nosso problema lá também. A crise econômica fez mais por isso do que todas as outras políticas públicas. Reduzimos em 150 mil veículos que entravam todos os dias em Lisboa no período da crise. Assim que a crise começou a passar já recuperamos um pouco, ainda não nos níveis anteriores porém. Próximos dos 100 mil já regressaram novamente. Criamos restrições em algumas áreas. No centro histórico praticamente só o morador consegue estacionar.

O que foi feito para melhorar a mobilidade em Lisboa e que poderia ser replicado em outras cidades?
Uma política é relacionada à habitação social. Se conseguiu alojar mais de 20 mil famílias de favelados em habitações dignas e em bairros integrados. Não foram marginalizados, levados para longe. E, a nível de mobilidade, Lisboa iniciou um processo muito interessante de integração de todos os modais e meios de transporte, desde o pedestre até o metrô e o trem.

 



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