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Ranchos de pescadores estão na mira dos órgãos ambientais em Florianópolis

Construções de madeira, com telhas de amianto, sem cômodos e sem quase nenhuma infraestrutura. Assim são os ranchos de pescadores artesanais em Florianópolis, que estão na mira dos órgãos ambientais. Em setembro, 41 ranchos foram demolidos na Praia de Ingleses, Norte da Ilha, dos 74 existentes à época. Há duas semanas, o tradicional rancho do Getúlio, na Praia do Campeche, Sul da Ilha, também foi notificado pela Floram (Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis) com indicação de multa e de demolição. Apesar da simplicidade, os 210 ranchos cadastrados na prefeitura preservam a história e a tradição do manezinho da ilha.

Patrimônios da cultura da pesca artesanal, os ranchos são mais do que apenas um espaço para guardar embarcações ou redes. Eles são o ponto de encontro para a discussão das novas legislações, de aperfeiçoamento de novas técnicas, dos problemas da comunidade e até de integração com o desenvolvimento de projetos sociais. A pesca artesanal é a atividade exercida por autônomos, que utilizam tecnologia e metodologia de captura não mecanizada e baseada em conhecimentos empíricos com embarcações inferiores a 20 toneladas.

“Alguns ranchos mereciam ser tombados pelo patrimônio histórico e deveriam virar pontos turísticos de divulgação da nossa arte, que é a pesca artesanal. O pescador não é um inimigo do meio ambiente, porque ele depende desses recursos naturais para o seu sustento”, explica o presidente da Federação de Pescadores de Santa Catarina, Ivo da Silva.

O secretário de Pesca, Maricultura e Agricultura de Florianópolis, William Costa Nunes, conta que o objetivo da fiscalização é separar quem realmente trabalha com a pesca artesanal dos aproveitadores. “Todos que comprovaram o exercício da pesca artesanal não tiveram prejuízos, porque a ação focou nas pessoas que utilizam o espaço para organizar festas ou como casa de veraneio”, esclarece o secretário.

Segundo a Federação de Pescadores de Santa Catarina, a Ilha de Santa Catarina tem 4.608 pescadores artesanais, mas somente 1.550 são associados da Colônia Z-11.

Pesca artesanal ameaçada

Faça chuva ou sol, Odilon Dercidio de Souza, 53, está trabalhando no mar em busca do pescado ou em seu rancho no reparo dos materiais. Para ele, o importante é a direção do vento e as correntes marítimas. Proprietário de um rancho herdado pela família na Praia dos Ingleses, ele não vê futuro na pesca artesanal para as próximas gerações.

“Meu filho é um exemplo de quem pretende estudar e ter uma profissão mais digna. Com a alta do óleo diesel, com a proibição de alguns tipos de rede e a concorrência das pessoas que tiram férias na safra da tainha, por exemplo, poucos são os que têm coragem de seguir a vida de pescador artesanal. Agora, teremos que mudar o rancho de posição pelo movimento das dunas, mas não temos dinheiro para construir tudo de novo”, lamenta o pescador.

Em seu rancho, Odilon guarda o trator da associação utilizado para puxar os barcos, as embarcações, as redes, as caixas de peixes, os motores, entre outros itens.

No João Paulo, pescador não consegue reformar o rancho

No bairro João Paulo, a situação do pescador Carlos César Pereira, 55, também passa por dificuldades com o seu rancho de canoa. Construído há mais de 40 anos, ele deu entrada com um pedido de reforma na SPU (Superintendência do Patrimônio da União) há dois anos e não obteve resposta. Enquanto isso, ele equilibra a estrutura com estacadas improvisadas.

“Foi à época que a nossa preocupação era apenas o tipo de pescado que iríamos capturar. Hoje, o pescador só leva pancada de todos os lados. As lanchas destroem as nossas redes, não recebemos subsídio para nada, os aterros na cidade acabaram com a nossa praia e ainda esperamos por um trapiche”, desabafa Carlos.

Leia na integra em Notícias do Dia Florianópolis, 10/12/2016.

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