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Fenaostra começa nesta quinta-feira em Florianópolis com reclamações de maricultores

In natura, ao bafo, com vinagrete ou gratinada. Não importa o modo de preparo, as ostras são as estrelas do mês de outubro em Florianópolisonde a partir desta quinta-feira começa a 17ª edição da Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana (Fenaostra)O evento vai até 12 de outubro, no Centrosul, e a principal novidade em relação às edições anteriores é que a festa será organizada com recursos exclusivos da iniciativa privada, sem verba pública.

Outra novidade é que você não poderá mais comprar e degustar na festa o molusco diretamente dos produtores ilhéus, que costumavam bater ponto nos estandes do Centrosul. Somente os restaurantes credenciados estão autorizados a vender a ostra para o consumo imediato.

Já os maricultores que participarem do evento só podem vendê-las para quem as levar para viagem. O preço do ingresso também aumentou, passando de R$ 5 para R$ 15, com opção de meia entrada por R$ 7,50 para crianças, estudantes e idosos.

Diante das mudanças, trabalhadores que integram a Associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi), principalmente os que trabalham às margens do mar do Ribeirão da Ilha e são responsáveis por 40% de toda produção existente na Capital, reclamam que a festa está “ficando elitizada” e os produtores da Ilha “excluídos” da exposição e lucro da Fenaostra.

— A Fenaostra foi feita para divulgar a criação de ostras em Florianópolis, para atrair os turistas que vêm para as festas de outubro no Estado e trazer um espaço para os maricultores da cidade, uma questão social para ele apresentar e vender seu próprio produto, mas agora, com a terceirização, isso tudo ficou mais difícil — lamenta o maricultor Nilton Cesar Kretzer, 47 anos, que na manhã desta terça-feira trabalhava na Fazenda Marinha Ostra Vida, no Ribeirão da Ilha.

Ao seu lado, o também produtor David Freitas Corriconde, 34 anos, há 12 produzindo o molusco nas águas do Sul da Ilha, destacou que para participar da Fenaostra teria que desembolsar R$ 1.200 para dispor de um estande e oferecer seus produtos para venda, sem possibilidade de consumo no local. Assim, pela primeira vez nos últimos anos, decidiu não participar do evento.

— A gente não é contra terceirizar a festa, até porque se não fizesse isso, ela não aconteceria. Mas a gente queria melhores condições para comercializar o produto, divulgar nosso trabalho e cultura, incentivo para o maricultor, pois antes o nosso estande não custava nada. Nós tínhamos, com a Fenaostra, uma espécie de 13° salário pelo nosso trabalho — explica Davi.

Burocracia também atrapalha

A maricultora Rita de Cássia Rodrigues, 56 anos, afirma que outro problema enfrentado pelos produtores de ostras é a demora na implantação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que visa regulamentar e legalizar o beneficiamento, industrialização e comercialização de produtos de origem animal em Florianópolis.

Sem ele, os produtores têm que fazer a inspeção sanitária de trabalho junto ao Governo do Estado, que é mais cara. O SIM já existe em cidades próximas como Palhoça, Biguaçu e Governador Celso Ramos e é considerado garantia de boa procedência e de qualidade do alimento produzido e de desenvolvimento dos negócios.

De acordo com Marcelo Acelino, dono da empresa Organiza Eventos, que obteve a concessão para organizar e realizar a Fenaostra, toda a ostra vendida na festa tem que ser certificada. Sobre a cobrança para participação dos produtores, garante que o custo do estande é de R$ 700, e sua cobrança se justifica no fato “de que é preciso pagar a conta da festa”.

— A gente resolveu cobrar para os produtores participarem porque eles vendem muito. Não temos porquê dar de graça, se eles têm receitas — avalia.

Já Cauê Silva Vieira, diretor de pesca, maricultura e aquicultura da Prefeitura de Florianópolis, explica que o SIM na Capital foi criado em 2013, a lei que regula o assunto foi regulamentada em agosto deste ano, depois de ser aprovada na Câmara de Vereadores, mas faltam detalhes que ainda estão em andamento, como a contratação de fiscais, montagem de laboratórios, entre outros.

— Provavelmente essas questões só serão operacionalizadas no início do ano que vem, e o interesse do município é que seja mais barato que o estadual e um pouco mais restritivo, para abranger a realidade da cidade — expõe.

Estrutura

A festa contará com a mesma estrutura do ano anterior, devido ao pouco tempo de organização. Haverá 20 espaços gastronômicos que comercializarão pratos à base de ostras, além de outras comidas com frutos do mar; 30 espaços de comercialização do artesanato local; um quiosque para a comercialização de bebidas, onde poderão ser encontrados sete tipos diferentes de chope.

Haverá, ainda, um espaço dedicado às crianças, além de uma programação especial para elas durante o encerramento da festa, que será no dia 12 de outubro. No pavilhão do artesanato haverá um lounge, e na entrada da festa, onde ficam os restaurantes, um palco para receber as atrações artísticas e culturais. A ideia do evento, em 2016, é de que cada noite seja conduzida por uma temática diferente de atrações.

A produção de ostras em Florianópolis representa 80% no mercado nacional – metade disso produzida nas águas da baía sul. Sua capacidade de produção é de 3,2 mil toneladas por ano. A cidade possui o título de Capital Nacional da Ostra. A última edição da festa contou com a participação de 35 mil pessoas e um consumo de 20 mil dúzias de ostras, durante os cinco dias de evento.

(DC, 05/10/2016)

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