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Seminário de Planejamento Urbano discute os desafios da dinâmica demográfica

Em busca de uma solução adequada a toda Região Metropolitana de Florianópolis, foi realizado o 1º Seminário de Planejamento Urbano, com o tema “Desafios frente à nova dinâmica demográfica: o caso de São José/SC”, no último dia 08 de abril na sede da Associação dos Municípios da Região da Grande Florianópolis (Granfpolis). A FloripAmanhã esteve presente no evento, representada por Ivo Sostizzo, voluntário da Associação especialista na área.

“O evento é uma excelente promoção da Associação de Municípios como símbolo de integração de planejamento urbano, podendo se discutir o plano diretor e a mobilidade urbana como um trabalho de consolidação de uma cidade mais eficiente e articulada para o desenvolvimento da Região Metropolitana”, destaca Ivo Sostizzo, professor de Planejamento Urbano da UFSC.

Cerca de 1,4 milhão de habitantes em 2040

Demógrafo Paulo Campanário

Durante o Seminário foi apresentado o Estudo de Projeção Demográfica para o município de São José entre 2010 e 2050, elaborado pelos demógrafos Paulo Campanario e Cecília Mameri. O estudo vai servir de base para a Reelaboração do Plano Diretor Participativo do município.

A população de São José, que hoje é de cerca de 230 mil habitantes, vai continuar crescendo em ritmo menos acelerado até atingir seu número máximo, aproximadamente 330 mil, em 2045. Numa perspectiva de maior prazo, mantidas as tendências, o número de habitantes passará a decrescer, chegando ao número equivalente ao atual em 2100. Esta é uma tendência nacional e atingirá em maior ou menor prazo todos os municípios brasileiros, em grande parte devido à queda acentuada da taxa de fecundidade.

Os dados confirmam que atualmente Florianópolis é o município da região com maior crescimento populacional, seguido por São José, Palhoça e Biguaçu. Conforme a projeção apontada pelo demógrafo Paulo Campanário, autor do estudo apresentado no Seminário, a população destes quatro municípios atingirá cerca de 1,4 milhão habitantes em 2040, enquanto a projeção do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis (PLAMUS) aponta valor similar, em torno de 1,25 milhão.

São José discute Plano Diretor

Superintendente da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, Cássio Taniguchi.

Além da apresentação das projeções demográficas, o Seminário discutiu os desafios do planejamento urbano frente à nova dinâmica demográfica das próximas décadas para o município e para toda a Região Metropolitana.

O evento, realizado no auditório da Granfpolis, foi aberto pelo presidente da Associação e prefeito de Canelinha, Antônio Silva, e pela prefeita de São José, Adeliana Dal Pont. Na mesa de autoridades também estiveram o conselheiro substituto do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC), Gerson dos Santos Sicca, o vereador Sanderson de Jesus, representando a Câmara Municipal de São José, e o engenheiro Cássio Taniguchi, superintendente da Região Metropolitana, também palestrante do Seminário.

“Este evento é importante, sobretudo neste momento em que paramos para discutir o Plano Diretor da cidade. As apresentações feitas aqui são essenciais para definirmos a São José do futuro, com planejamento e seriedade”, destacou a prefeita Adeliana, durante a abertura. Para ela, o processo de reelaboração do Plano Diretor Participativo será válido na medida em que conseguir unir o estudo técnico e os interesses da população, através da participação da sociedade em todas as etapas do processo. “O resultado, sem dúvida, será mais qualidade de vida para todos nós”, afirmou.

Migração e ocupação territorial

O demógrafo Paulo Campanário, coautor do Estudo de Projeção Demográfica para São José entre 2010 e 2050, destacou o envelhecimento da população: a idade média, que era de 24,3 anos em 1980, passou a 33,4 em 2010 e chegará a 45 anos em 2050. Ao mesmo tempo, salientou que a esperança de vida ao nascer nos anos 80 era de aproximadamente 68 anos e poderá atingir 80 anos em 2050.

Nas próximas décadas, o aumento do número de idosos será perceptível, chegando, em 2050, a quase três vezes o percentual registrado pelo Censo do IBGE em 2010. Enquanto isso, a população jovem abaixo de 14 anos que em 2010 representava 20% da população passará, em 2050, a pouco mais de 10%.

Segundo Campanário, a migração é outro fator considerável na Região. “Cerca de 10 mil pessoas chegaram a São José em cada quinquênio”, calcula. Este número pode oscilar chegando a 15 mil, tendendo a diminuir a partir de 2020.

O arquiteto e urbanista Edson Cattoni, coordenador técnico da Reelaboração do Plano Diretor Participativo de São José, falou da importância destes dados para as decisões sobre o planejamento da cidade neste momento. Cattoni chamou atenção para a necessidade de reconsiderar o atual modelo de ocupação do território: disperso, desconexo, descontínuo e desigual. “Até 25 habitantes por hectare já somam 44% do território do município de São José e entre 25 a 50 habitantes por hectare somam 18%”, destacou. Ou seja, 62% da área ocupada do município não alcança critério mínimo estabelecido por lei federal que define o que é área urbana consolidada.

Grande Florianópolis

Cássio Taniguchi, superintendente da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, enfatizou a articulação entre o uso do solo, o sistema viário e o transporte público como indispensável para o planejamento adequado das cidades. Mencionou ainda o uso misto e a cidade compacta como conceitos que promovem uma cidade mais eficiente.

Taniguchi que foi prefeito de Curitiba e ocupou vários cargos municipais, estaduais e federais na área de planejamento urbano, citou como exemplo as soluções encontradas em Curitiba na área de transporte urbano. ”A ligação interbairros adotada lá foi barata, positiva e acabou desenvolvendo outras regiões do município”, destacou.

Ao ser questionado sobre a necessidade e a importância da continuidade do planejamento ao longo do tempo, Taniguchi aponta o Observatório da Mobilidade, que está sendo constituído na Universidade Federal de Santa Catarina, como parceiro em potencial para apoiar o planejamento metropolitano e local.

O engenheiro Guilherme Medeiros, coordenador técnico do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis, chamou a atenção para o papel de São José como potencial centralidade metropolitana, devido a sua inegável posição estratégica na região. Para ele, “é preciso ordenar esta porta de entrada do núcleo metropolitano e abastecê-lo de infraestrutura, como, por exemplo, a construção de terminal rodoviário”. Medeiros também lançou o desafio para que os municípios integrem seus Planos Diretores aos Planos de Mobilidade Urbana.

Ivo Sostizzo ainda ressalta a presença da Prefeita de São José, Adeliana Dal Pont, durante todo o evento. Juntamente com todos os técnicos presentes ela participou da discussão do trabalho técnico de planejamento levando a visão política sobre o assunto.

Os documentos apresentados durante o evento estão disponíveis na página da Prefeitura e podem ser acessados para download pelo link: www.pmsj.sc.gov.br/planodiretorparticipativo.

(Com fotos e informações da Assessoria de Comunicação da Granfpolis)

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