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Quando a mídia nacional descobriu Florianópolis

(Coluna de Carlos Damião, ND 21/02/2015)

Vista parcial da cidade, com destaque para a região da Beira-Mar Norte

De onde vem a fama de Florianópolis como destino turístico? Melhor dizendo: quando isso começou? Os atrativos naturais sempre estiveram por aqui, é verdade, acrescidos de alguns temperos culturais importantes, como a célebre (e nem sempre boa) gastronomia da Lagoa da Conceição, as rendeiras que vendiam suas artes no Mercado Público, na Conselheiro Mafra e na Lagoa, o boi de mamão, o Carnaval, a magnífica ponte Hercílio Luz.

Até a década de 1960 era quase só isso. Não havia estradas para as praias do Norte, Sul e Leste da Ilha. Poucos hotéis, escassos restaurantes, quase nada de infraestrutura para receber visitantes.

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Foi na própria década de 1960 que o governo começou a investir na divulgação da cidade como alternativa turística. Mas isso só ganhou força na década seguinte, com a produção de documentários oficiais – um dos quais está disponível na internet –, folhetos, guias e reportagens em grandes revistas e jornais.

Era um material muito precário, se comparado com as possibilidades de hoje em dia. Mas ajudava os turistas a compreender e conhecer melhor a terrinha.

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A revista Manchete, um fenômeno editorial, com distribuição em todo o Brasil e no exterior, era pródiga em realizar grandes reportagens sobre Estados e cidades brasileiras, apontando sempre as características mais positivas ou, pelo menos, mais marcantes dos lugares.

Em 1975, com a inauguração da ponte Colombo Salles marcada para o início de março, a revista escalou o jornalista Salim Miguel e o fotojornalista Juvenil de Souza para “apresentar” Florianópolis aos brasileiros. Foi a primeira, maior e melhor matéria já feita sobre a Capital catarinense.

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Para melhor situar o leitor, a reportagem de Salim levou o título de “Florianópolis – Os cariocas do Sul”, publicada em seis páginas de pura exuberância fotográfica e literária. O jornalista e escritor morava no Rio desde o golpe civil-militar de 1964, com sua mulher, Eglê Malheiros, e os filhos. Mas tinha profunda e amorosa ligação com Florianópolis, cidade onde viveu toda a sua juventude.

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Acompanhe, a seguir, alguns trechos escolhidos do texto supimpa de Salim Miguel:

“De um lado, uma cidade irreverente e bem humorada, com um povo semelhante ao carioca na sua maneira de encarar a vida e seus problemas, gozando os visitantes e se autogozando; e do outro, um centro político-administrativo e um centro cultural-universitário preocupados, ambos, com os destinos do Estado e seu compromisso com o futuro.

Tudo isto cercado por uma natureza exuberante, por mais de 40 praias remansosas ou selvagens e por uma paisagem das mais belas do Brasil”.

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“Despachando no ‘Senadinho’ da Rua Felipe Schmidt, coração da cidade, onde se decidem os destinos da Capital, do Estado, do país e do mundo (…), o senador (honorário e vitalício) Alcides Hermógenes Ferreira, figura mais conhecida da Ilha (…), diz com sua verve inconfundível repassada de ternura pela terra: ‘Com tanto carro e tanta gente se acotovelando pelas ruas, Florianópolis não tem mais ninguém’”.

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“Depois de um longo período de estagnação, a Capital catarinense passou a atravessar um surto de desenvolvimento que é flagrante em todos os setores. Esta arrancada vem de uns 15 anos. Imperceptível no início, de repente explodiu de forma desordenada, sem uma adequação à natureza física e aos costumes da terra.

E o turismo, valendo-se das belezas naturais de que é pródiga a Ilha, e da potencialidade das praias, se transformou em fonte de renda e de problemas”.

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O texto é imenso, impossível reproduzi-lo na íntegra. Lembrando que foi escrito em fevereiro de 1975 e publicado no mês seguinte. Sempre atual.

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