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Floripa: A bem-amada




(Da coluna de Sérgio da Costa Ramos, DC, 03/02/2015)

Em duas gerações, de 1960 a 1990, a cidade terá crescido ao ritmo “chinês” de quase 8% ao ano. Em 1960, a cidade contava com uma população ainda de dois dígitos de milhar: 98.590 habitantes. Hoje, só na Grande Floripa, a cidade hospeda um milhão.

Era bom. Todo mundo se conhecia. Todas as casas tinham quintais, mesmo no centro da cidade. As crianças conheciam um peru, uma galinha, bichos que hoje só conhecem prensados e congelados nas gôndolas dos supermercados.

O carteiro entregava a correspondência sem olhar o endereço, só pelo formato do envelope. As casas eram identificadas pelo jardim.

As margaridas da dona Ina Moelmann; as buganvílias do seu Raulino Horn; as bocas-de-leão do seu Carolo Wendhausen, na Praia de Fora; os copos-de-leite da casa do Barão, na Bocaiúva.

Jornal era na banca do Beck e carne já era nas Fiambrerias Koerich. Piano Bar, no Lux e no Querência. E houve boates históricas, como o Samburá, na Praça XV, sobrado do Restaurante Poli.

Há 50 anos a cidade era uma aldeia, podia-se dormir de janela aberta. Hoje, Floripa é um mini-Rio de Janeiro, com assaltos a banco, a ônibus, a residências. Só falta inaugurar a fase dos sequestros-relâmpago.

Costumava passar férias no Rio nos anos 1960 e lá me perguntavam:

– Onde é? Florianópolis? Onde fica? Fica no Brasil?

Acabo de receber, pelo telefone, mais uma “consulta” sobre preços de imóveis em Floripa. Um amigo de São Paulo quer se “naturalizar” manezinho. Morar em Floripa passou a ser um sonho de consumo. Não conheço brasileiro de bom gosto que não ame Floripa, que não persiga a ilha nos seus verões abrasivos, no inverno brando, na amenidade da primavera. Todos querendo testemunhar os mais belos “ocasos” do planeta – e, por tabela, ouvir os “casos raros” da ilha formosa.

Seria o caso de se parodiar o samba famoso e versejar:

“Quem não ama Floripa/ Bom sujeito não é/ Ou é ruim da cabeça/ Ou doente do pé…”

-Floripa precisa de cuidados. E de administradores públicos capazes de ressuscitar o bom senso e que compreendam a sua urgência – sem ficar discutindo o que é melhor para a cidade, uma ponte ou um túnel, durante mais de 10 anos.

Alguém que ressuscite o planejamento como visão prospectiva do futuro. E que cuide da segurança pra valer, sem achar que “questões policiais” são assuntos do Estado e da União.

Ora, ninguém “vive” no Estado ou na União, ficções jurídicas. Vivemos no município.

Nossa única pátria começa do outro lado da rua ou no lado externo da porta de nossas casas.

 



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