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Consumo sustentável: “São as ações individuais que fazem o Plano dar certo na ponta”




Todos precisam estar envolvidos para que a transição para uma sociedade ambientalmente mais equilibrada e socialmente mais justa ocorra. Hoje, a humanidade já consome 50% mais recursos renováveis do que a Terra consegue regenerar, mesmo em uma situação de enorme concentração do consumo, em que apenas 16% da população mundial é responsável por 78% do total do consumo no planeta.

Por isso, se por um lado é necessário alterar o modo atual de produção, por outro é fundamental que existam consumidores mais conscientes para impulsionar essa transição. E para que esses consumidores tenham a possibilidade de escolhas mais sustentáveis em seu consumo, é preciso que empresas inovem radicalmente, oferecendo novos produtos e serviços que possibilitem alcançar o bem-estar desejado usando muitíssimo menos recursos naturais.

Iniciativas como o Plano de Produção e Consumo Sustentáveis, lançado no final de 2011, buscam articular esforços no sentido de tornar isso possível. Sua elaboração, uma das consequências da adesão do Brasil ao Processo de Marrakesh, envolveu a participação de organizações da sociedade civil, representantes do setor produtivo e diversos Ministérios, entre outros, sob a coordenação do Ministério de Meio Ambiente. Dentre as primeiras metas do Plano, merece destaque a proposta de dobrar o número de consumidores conscientes até 2014, tomando por base para tal medição o Teste do Consumidor Consciente, desenvolvido pelo Instituto Akatu.

Em entrevista exclusiva, a nova Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Mariana Meirelles, comenta os próximos passos desse Plano e a importância do consumidor final nesse cenário.

Em que ponto está o Plano de Produção e Consumo Sustentáveis?

Estamos na fase de implementação do Plano, buscando pactos setoriais e acordos voluntários para fazer valer as metas que propusemos. Tudo com vistas a seu processo de revisão, que vai acontecer agora em 2014 e decorre de várias razões. A primeira delas é que temos que trabalhar sobre os problemas que tivemos nesse ciclo inicial. Além disso, é preciso adequar o Plano às novas realidades, já que o desenho feito em 2011 foi um primeiro movimento de mudança. Com essa revisão, pretendemos direcioná-lo de maneira mais estratégica a partir do que já realizamos.

E, a partir da revisão, quais os próximos passos?

O ideal é termos ciclos de três anos de trabalho, como foi o de 2011 a 2014, pois assim conseguimos adequar o Plano a ciclos de governo. O próximo passo é seguir identificando parcerias que sejam de fato transformadoras. No momento, estamos trabalhando para colocar a Rede de Produção e Consumo Sustentável em funcionamento. Na nossa visão, ela vai garantir um ambiente adequado para conseguir a escala e a velocidade de implementação que o Plano requer. Neste ano, a ênfase do nosso trabalho está no aprimoramento de seu diálogo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – já que a redução de impactos negativos no meio ambiente, prevista como um dos objetivos do Plano, depende do trabalho em consonância com a PNRS, com apoio especialmente à aplicação de processos de logística reversa e à alavancagem de compras públicas sustentáveis.

O que é a Rede de Produção e Consumo Sustentável?

É uma plataforma comum que busca dinamizar a integração entre organizações não governamentais, empresas e governo na efetivação de uma produção e de um consumo mais sustentáveis. Com ela, serão potencializadas as trocas de conhecimento, as declarações de intenção de seus participantes, a adesão voluntária, por exemplo, de empresas que já estão realizando ações na direção apontada pelo Plano. É um instrumento de gestão compartilhado pelos diversos atores que fazem parte desse processo.

E o consumidor final? Qual é o papel dele na implementação do Plano?

O consumidor é essencial. Mais do que conhecer as ações que já estão sendo realizadas, ele precisa mudar o seu comportamento e seus hábitos de consumo. São as ações individuais que fazem o Plano dar certo na ponta. Para isso, a sociedade, o governo, as empresas e os meios de comunicação precisam apoiá-lo com informação. Sem informação, não há como o consumidor se reeducar. Isso é condição para a mudança de comportamento. Um exemplo é a efetivação da logística reversa prevista na PNRS. As empresas estão organizando processos para mudar o modo como recolhem e utilizam matéria-prima e produzem bens, e se responsabilizar pelos resíduos que geram. Mas se o consumidor não fizer o adequado descarte daquilo que provém do seu consumo, a Política não consegue ser efetivada. Assim, essa é uma força tarefa que envolve todos os setores da sociedade e cujo resultado será cada vez melhor,  na medida em que o consumidor estiver preparado, munido de informações e disposto a demandar das empresas e do governo atitudes mais sustentáveis.

(Akatu, 26/08/2013)



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