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O futuro de Floripa: cultura para transformar

Artigo de Luiza Lins, diretora da mostra de cinema infantil de Florianópolis (DC, 17/06/2013)

Estamos a poucos dias da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Em breve, arte e cultura voltadas para as crianças invadirão a nossa cidade e outros municípios catarinenses.

A criança é um multiplicador cultural. Ela contamina a família e outras pessoas que estão em seu entorno. Um evento cultural voltado para ela, na verdade, acaba atingindo toda a sociedade.

A cultura qualifica a educação. A arte transforma o ser humano. E se queremos uma cidade mais humana no futuro, teremos que repensar a maneira que lidamos com a arte também.

Nascemos com um grande potencial criativo, todos, e aos poucos vamos perdendo a naturalidade, deixando de ser crianças. Ser “infantil” hoje é sinal de falta de amadurecimento, enquanto que, na verdade, ser infantil deveria se referir à capacidade de continuação de algumas características incríveis que só as crianças têm.

O que fazer para que as nossas crianças cresçam e continuem espontâneas, criativas e inventivas? Que sejam adultos que busquem soluções diferentes para um mundo melhor? Como a arte pode ajudar neste processo?

“O objetivo da arte não é uma descarga momentânea de adrenalina, mas a construção gradual, ao longo da vida inteira, de um estado de maravilhamento e de serenidade”, diz Glenn Gould no livro Music and Mind, de Geoffrey Payzant.

Nesse sentido, o contato com a arte deveria ser mais constante. A arte e a cultura deveriam estar lado a lado com a educação, e ao mesmo tempo, na cidade inteira.

É preciso um choque de educação, um investimento grande em uma educação diferenciada, aliada à cultura e à valorização do professor. Só assim, com excesso de educação e cultura, conseguiremos uma cidade diferente.

Experiências históricas em vários países nos mostram a importância da educação e da cultura no processo de desenvolvimento, na diminuição da criminalidade e em vários outros aspectos. Quando investirmos mais em formar cidadãos com valores, e não somente consumidores, teremos uma sociedade menos violenta e mais justa. Não veremos jovens matando por um par de tênis.

É fundamental valorizar as culturas dos bairros, da periferia e de todos os habitantes. Precisamos permitir que toda a população se expresse culturalmente. Assim, teremos uma cultura dinâmica e capaz de fortalecer a autoestima dos nossos jovens. Assim todas as pessoas da cidade se sentirão incluídas e não teremos mais uma cidade separada, onde grupos não se encontram nunca. A integração dos habitantes humaniza a cidade.

Pensar em centros culturais espalhados nos bairros, com bibliotecas e cineclubes. Pensar nos conteúdos que estão sendo exibidos nesses centros. Museus aparelhados e abertos todos os finais de semana. Acima de tudo, pensar a cultura e a arte como o poeta, crítico literário e ensaísta José Paulo Paes, que ensina que é tudo aquilo de que a gente se lembra após ter esquecido o que leu: revela-se no “modo de falar, de sentar-se, de comer, de ler um texto, de olhar o mundo. É uma atitude que se aperfeiçoa no contato com a arte. Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica o olhar”.

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