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O que mudou no maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis

ND acompanha visita do prefeito Dário Berger e apresenta o ponto de vista dele e dos moradores sobre as obras

Mudar a imagem e o conceito de uma região não é tarefa fácil. Dar condições de transformar a vida de moradores de 16 comunidades em vulnerabilidade social é uma das ações que a Prefeitura de Florianópolis vem executando desde 2008. No dia em que Dário Berger resolveu conferir as obras na região, moradores tiveram as mais variadas reações. Desde um tímido cumprimento até um caloroso abraço. A equipe do Notícias do Dia acompanhou a visita e relata os detalhes.

O Maciço do Morro da Cruz concentra uma população de mais de 25 mil habitantes. Ao caminhar pelas ruelas e ladeiras é possível notar asfalto, muros de contenções, saneamento básico e escadarias que já fazem diferença na rotina dos moradores. A pavimentação da rua chamada de “Variante da Serrinha” é uma via que promete facilitar o trânsito na região. A rua que liga a Serrinha ao Alto da Caeira deve ser inserida nas linhas do transporte coletivo e facilitar o acesso ao morro.

É do Alto da Caeira que Berger constata as mudanças no Maciço e comenta que o “objetivo é a inclusão social, reformando as áreas desassistidas e criando condições dignas de convivência”. Ao pavimentar as ruas, os moradores passam a ser inseridos no mapa da cidade. “É uma regularização fundiária, as pessoas aqui não tinham endereço, eram excluídas”, observa.

Como dificilmente o prefeito anda sozinho, uma comitiva de três carros acompanhou a visita, transportando uns 15 assessores, secretários e vereadores. Um número igual aguardava Dário nos locais visitados do Maciço. Ao passar por um boteco a movimentação chamou atenção dos frequentadores que gritaram “Dário, vem aqui tomar uma gelada com a gente”, em resposta o prefeito apenas acenou.

Muros de contenção

No Alto da Caeira, o prefeito Dário Berger observa a construção dos muros de contenção que já mudou a realidade dos moradores. “Mesmo com as fortes chuvas em 2008 e 2009, a Defesa Civil do município não registrou ocorrências de mortes na região”, relata. No local, o prefeito é bem recebido por moradores. “O bairro melhorou 80% do que era”, conta o líder comunitário Valdeci Moreira, que se aproxima do prefeito e aproveita a oportunidade para convidá-lo para um churrasco.

A servidão da Felicidade foi pavimentada até a rua Custódio Fermino. O prefeito faz questão de percorrê-la para conferir as obras. No local, o próximo passo, será a construção de calçadas, pinturas e instalação de pontos de ônibus.

Casa nova

A visita à construção das casas para famílias em áreas de risco também faz parte do roteiro. Em pé, em cima dos muros que separam as que estão em construção, Dário Berger lembra que das 438 casas a serem construídas, 309 estão em áreas de riscos. Destas, 129 serão retiradas do sistema viário e 68 foram desocupadas.

De acordo com o projeto, 50 estão em construção, sendo 19 na comunidade Morro do Céu e 31 nas proximidades da rua José Boiteux, Santa Clara, Monsenhor Topp e Mont Serrat, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões. “Com esta etapa vamos beneficiar 50 famílias que estão em aluguel social ou em situação precária”, observa Berger. O projeto é um dos mais atrasados em relação aos demais. Segundo a prefeitura, quatro licitações para construção já foram feitas, mas não aparecerem interessados. Um novo edital está sendo preparado.

Prefeito é recebido por moradores no Morro do Jagatá

É na comunidade do Jagatá, uma das 16 que compõem o Maciço, que as transformações são significativas. Logo ao chegar ao local, uma pequena multidão aguarda pelo prefeito. Entre vereadores e assessores, líderes comunitários e moradores também querem falar com Berger. O prefeito procura dar atenção a todos e mal consegue caminhar pela servidão Luiz Zilli, que há um ano recebeu pavimentação.

Moradores agradecem a realização de algumas obras, enquanto outros fazem cobranças. O aposentado Darci Orlando de Matos, 68, pede um muro de contenção na servidão Luiz Zilli. “Aqui tem muitas rochas que podem rolar até as casas, está perigoso”, observa. “Quando o prefeito visitou nossa comunidade pedimos saneamento, água e luz. Não tínhamos nada aqui”, lembra a presidente da Associação de Moradores, Rosa Batista Vieira.

A moradora Maria de Fátima Andrade, conhecida por fazer constantes reivindicações na prefeitura leva o prefeito pela, até a sua casa. Berger segue a moradora e junto com ele a comitiva o acompanha entre as vielas e ladeiras do morro do Jagatá. No local, a mulher mostra as condições precárias de acesso pede melhorias. “Prefeito, só confio na sua palavra”, repetia a mulher.

“Isso aqui melhorou da água para o vinho”, observa a cozinheira Eliane Araújo Silva, 42, moradora há 11 anos. “A gente andava com barro pelas canelas, tinha que sair de casa com uma flanela para limpar os sapatos”, lembra. “Esse lugar era só barro, poeira. Falta de água e esgoto a céu aberto. Hoje estamos em um lugar decente”, conta o aposentado Sulimar Alves.

Parque do Maciço

O sol já está se pondo e é escuro quando o prefeito e comitiva chegam às obras do parque do Maciço do Morro da Cruz. Logo na entrada o prefeito destaca o projeto que prevê a construção do bondinho. O sistema consiste em um acesso por um bondinho sobre trilhos, nas escadarias da rua José Boitex. Segundo Berger, a opção de transporte vai facilitar o acesso tanto para moradores como para turistas que queiram conhecer o morro. O projeto está sendo elaborado e a previsão de conclusão é para 2012.

Cerca de um terço do Maciço do Morro da Cruz é ocupado. Do total, dois terços são áreas nativas. O prefeito explica que como forma de preservar as áreas de preservação permanente foi criado o parque ambiental na mata nativa. “Faremos delimitações na área para evitar construções e preservar a área”, salienta Berger. Com 17% das obras feitas, a previsão é concluir a execução do projeto até o próximo ano.

As pedras no caminho

Apesar da satisfação com as realizações no Maciço, Berger confessa que gostaria que as obras tivessem mais adiantadas. “São obras difíceis de serem realizadas, mas que representam um marco. De um lado uma comunidade completamente desassistida e no outro lado uma cidade com elevado índice de desenvolvimento social”, observa o prefeito.

De acordo com a prefeitura o atraso nas obras e a dificuldade no cumprimento de prazos se devem a fatores como: as regiões íngremes que dificultam o transporte de material; o aquecimento da construção civil que resulta na carência de mão de obra; excesso de chuva e a burocracia que atrasa a liberação de recursos. “Não é uma obra normal, é uma reforma com as pessoas morando dentro”, compara Berger.

Infraestrutura: 96% realizado

Rede de água e esgoto: 41% realizado

Ligações elétricas: 12%

Habitações: 0% (50 unidades em construção)

Transporte Funicular (plano inclinado): 0%

Parque urbano: 19% realizado

Trabalho social: 62% realizado

Regularização fundiária: 23% realizado

Investimentos:

O projeto

Início: Março/ 2008

Previsão para término: 2013

Total em investimento:

R$ 70 milhões (R$ 41 milhões do governo federal, R$ 15 milhões do governo estadual e R$ 14 milhões do governo municipal).

O que contempla

100% de pavimentação em todas as ruas de 16 comunidades do maciço do morro da Cruz, além de escadarias, rampas, muros de contenção e ligações de esgoto, água e energia elétrica. Um parque de convivência para lazer dos moradores e a construção de 438 casas populares

O que já foi feito:

Total do projeto: 38%

Investimentos no Maciço de 2005 a 2010: R$ 21,223 milhões (R$ 5,5 milhões do Estado Santa Catarina, R$ 2 milhões Prefeitura de Florianópolis e R$ 13 milhões da União)

Investimento total: R$ 70 milhões

Previsão de conclusão em 2013

Abrangência: Tico-Tico, Mariquinha, Mont Serrat, Morro do Horácio, Morro da Penitenciária, Morro do Céu, José Boiteaux, Angelo Laporta, Morro da Queimada, Morro do 25, Santa Clara, Laudelina Cruz Lemos, Morro Santa Vitória , Jacatá, Caieira do Saco dos Limões e Serrinha.

(Por Mônica Amanda Foltran, ND, 25/07/2011)

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