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Quando se fala em transporte marítimo, é comum comparar a geografia de Florianópolis com a do Rio de Janeiro. Por que razão, então, as baías Sul e Norte da Capital não possuem transporte de passageiros por barco, enquanto a Baía da Guanabara conta com um sistema composto por oito linhas?

Antes da construção da Ponte Hercílio Luz, travessia entre a ilha e o continente, em Florianópolis, era feita por barcos. Uma das embarcações era a chamada Catraia. Depois que este sistema desapareceu, inúmeras ideias e propostas surgiram para usar as baías Norte e Sul, circundadas pela Capital, Palhoça, São José, Biguaçu e Governador Celso Ramos. Mas nenhuma saiu do papel.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estima-se que aproximadamente 23 milhões de passageiros usem o transporte hidroviário por ano. Para chegar até Niterói, por exemplo, os passageiros gastam menos de 20 minutos e desembolsam R$ 2,80.

Outras cidades brasileiras também contam com sistemas semelhantes. Entre elas estão Santos (SP), Salvador (BA), Aracaju (SE), Vitória (ES), São Luís (MA) e Belém (PA), além de praticamente todas as que compõem a bacia amazônica.

Travessia Palhoça-Capital depende das outras cidades

No Rio de Janeiro, as travessias são feitas com embarcações convencionais, as barcas, e com os catamarãs, menores e mais rápidos. Um modelo semelhante fez um passeio demonstrativo pelas baías Sul e Norte de Florianópolis.

– O passeio foi um sucesso. Não tivemos nenhuma posição contrária – diz o secretário de Desenvolvimento de Palhoça, Josué Mattos.

O teste faz parte de um esforço da prefeitura de Palhoça, até agora sem resultados práticos, de mudar o cenário do transporte na região.

Segundo o secretário, uma lei já foi aprovada pela Câmara de Vereadores. Agora, o município busca as licenças ambientais para fazer a licitação. Para o sistema funcionar em toda a baía, Florianópolis, São José, Biguaçu e Governador Celso Ramos precisariam fazer a mesma coisa.

(DC, 09/05/2011)

Este aqui funciona

Em Florianópolis, serviço de travessia por barcos entre a Costa da Lagoa e a Lagoa da Conceição é referência há 16 anos

Seu Deodoro Ferreira é do tempo em que a travessia Costa da Lagoa-Lagoa da Conceição era feita de canoa. Hoje, aos 82 anos e aposentado, trocou o remo por uma bengala, usada para ajudar a entrar no barco.

– É como se fosse um ônibus. Só que aqui ninguém esbarra na gente. E não é aquela tranqueira da cidade – afirma.

Ele é um dos cerca de 400 passageiros que usam, todos os dias, o único meio de transporte público de passageiros por barco de Florianópolis.

Enquanto a Capital catarinense ouve sucessivas propostas de transporte marítimo que não saem do papel, o sistema da Costa da Lagoa funciona há 16 anos, numa comprovação do ditado que diz que a necessidade é mãe da invenção. É que a outra opção para sair da comunidade é uma trilha de duas horas. O DC foi conferir como funciona o sistema.

A viagem começa às 10h. O embarque é no Terminal Lacustre da Cooperbarco, uma cooperativa de barqueiros, no início da Avenida das Rendeiras. É uma manhã de sol de outono, daquelas que ressaltam ainda mais os contornos da Ilha.

– Aqui é seguro, nunca deu um acidente. Tempo ruim nunca nos parou – anuncia o barqueiro Nilton José Goes, 61 anos, o seu Chico, no início da viagem.

São 23 pontos até o fim da linha, cerca de oito quilômetros. Como não há ninguém esperando, o barco segue devagar.

Dentro, são quatro passageiros. Um deles dorme. Na hora de descer, é acordado pelo proeiro, uma espécie de cobrador de ônibus dos barcos.

Até o ponto final, não sobe mais ninguém. Tudo é calmo, com gaivotas curtindo a lagoa.

– Não sei como Florianópolis não tem mais transporte por barco. Acho que esse vai ser o futuro – diz o barqueiro.

Quando vai ao Centro, ele fica com dor de cabeça por causa do tumulto. Mas basta voltar para a Costa da Lagoa para o problema acabar. Ali o ritmo é diferente.

No ponto final, hora de desembarcar do Gean, barco batizado em homenagem ao neto do seu Chico, para entrar no Don Onofre, uma referência ao avô do barqueiro Edu Altamiro, 40 anos. São 11h.

Como se aproxima do meio-dia, há bastante passageiros. Logo o barco enche, mas ninguém vai em pé. Na conversa com estudantes, trabalhadores e aposentados, alguns problemas vão surgindo.

A estudante Anique Ghisio, 27 anos, acha que deveria haver mais horários. Mas o pior problema é a falta de integração. Ela paga uma passagem da Costa até a Lagoa da Conceição, outra até o Centro e mais uma até a Univali, em Biguaçu.

– A integração é uma mentira – diz.

Os barqueiros também reclamam. Idosos e deficientes não pagam, e estudantes desembolsam meia-passagem, mas a prefeitura não subsidia o transporte.

É meio-dia quando o barco atraca. Seu Deodoro vai ao médico e já sabe que o corre-corre lhe trará dor de cabeça. Muitos usuários do sistema de transporte da Capital também devem sentir a mesma dor. Mas a maioria não tem um paraíso chamado Costa da Lagoa para se curar.

(Por Mauricio Frighetto, DC, 09/05/2011)

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