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Moradores do Ribeirão da Ilha se unem para combater as enchentes no bairro

Trabalho voluntário de diversas pessoas ajuda a evitar mais desastres causados pelas chuvas

O Ribeirão da Ilha ainda sofre com as chuvas que persistem desde terça-feira na Capital. A rodovia Baldicero Filomeno ficou alagada durante toda a tarde e noite de sexta-feira. Casas foram tomadas pela água e, na manhã de sábado, os atingidos tentavam recuperar móveis, eletrodomésticos e outros utensílios. Foi o caso da sócia de uma dos estabelecimentos que fica na beira da rodovia, Delma Bardança, 50. “Vinham ondas de água e batiam na nossa porta. Fiquei até em estado de depressão quando vi tudo aquilo, parecia cena que a gente vê na televisão. À noite não dormimos e quando chegamos aqui de manhã estava tudo destruído. O muro do lado da loja caiu e a água varreu tudo. Perdemos diversos materiais. Minha sócia não aguentou e foi embora”, conta.

Segundo Delma, uma vizinha chegou a entrar na loja a noite para tentar tirar um pouco da água. “Se ela não tivesse vindo, acho que poderia ter sido bem pior. Acho que as autoridades deveriam ter mais carinho por nós. Sofri para ter um empreendimento e perco tudo porque eles não fazem a parte deles. Se a rua não tivesse alagado, a água nunca entraria aqui. Ainda bem que os moradores se reúnem e se ajudam”, explica.

Em frente à loja, cerca de cinco vizinhos cavavam uma tubulação para escoar a água da rua. “O bueiro está entupido e a água não tem para onde correr. Isso é falta de um sistema de escoamento da água da chuva correto. Estamos tentando ajudar para que as casas não sejam tomadas pela água. Na nossa rua a situação está ainda pior”, afirma Eduardo da Silva Freitas, 28.

A Servidão Carlos Antônio Lopes, onde Freitas mora com a esposa, grávida de seis meses, estava mesmo em situação crítica. A rua não possui calçamento e subir com o carro fica quase impossível. Além disso, o morro que fica ao lado está desmoronando com as chuvas e pedras enormes podem rolar pelo barranco. Os moradores chamaram a Defesa Civil, mas, segundo Adriano Lopes, 35, o Deinfra garantiu que não tinha perigo. “Estamos com medo. Já caiu um pedaço de terra e com um pouco mais de chuva isso pode acontecer. Nem dormimos nesta noite e estamos preocupados com as crianças”, diz Fábio Otacílio Sizilo, 31.

Eles chegaram a construir uma vala próximo ao barranco, mas a chuva também destruiu a obra. “Tem famílias aqui que precisam de atendimento médico. Samu não consegue de jeito nenhum subir esse morro. Ficamos a noite toda aí trabalhando, fazendo alguma coisa para evitar que desastres aconteçam. Agora vamos colocar nas mãos de Deus e esperar”, comenta Lopes.

Outros pontos da cidade também sofrem com a chuva

No bairro Saco Grande, o rio que corta o local estava prestes a transbordar e a água já estava invadindo as casas. Pessoas se posicionavam no meio da rua para observar a vazão. Em um dos condomínios, Zenilde Fátima da Rosa, 37, observava a água subir na entrada do prédio. “Eu já imaginei que ia encher e levei meus filhos embora daqui. Levantei várias vezes à noite para ver em que nível estava. Já perdi muita coisa com as chuvas”, diz.

O Morro da Lagoa da Conceição também não suportou a força das águas. Vários pontos sofreram deslizamentos de terra, mas o tráfego de veículos continuava normal na avenida Admar Gonzaga.

(Emanuelle Gomes, ND, 22/01/11)

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