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Antigo prédio da Câmara de Vereadores está sendo restaurado para virar museu

Um abrigo para a história

O Palácio Dias Velho, antigo prédio da Câmara Municipal de Vereadores de Florianópolis, vai se transformar no Museu Histórico. O projeto prevê um espaço com tecnologia de ponta, salas interativas equipadas com sistema 3D e imagens holográficas de personagens históricos catarinenses.

A antiga Câmara Municipal, localizada na Praça XV de Novembro, no Centro da Capital, passa por um novo projeto de restauração. Serão três etapas. A primeira, praticamente concluída, foi a limpeza arqueológica, com a remoção de entulhos existentes no local. De acordo com a gerente do Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural (Sephan), Maria Anilta Nunes, o piso rebaixado chamou a atenção dos arqueólogos, que suspeitam da existência de celas antigas no subterrâneo.

– Foram descobertos antigos alicerces e artefatos de louça e ferro, além de peças de vidro e até cédulas de dinheiro antigo – destaca Maria Anilta.

A próxima fase, que será iniciada em dezembro, é a realização da prospecção arqueológica de superfície, em que estruturas soterradas em até quatro metros de profundidade poderão ser descobertas.

Os resultados obtidos vão orientar a terceira parte do projeto: a escavação do edifício. Com os resultado das etapas anteriores, junto com a pesquisa histórica e eventuais problemas de arquitetura do Palácio, será planejado um projeto de restauração, com custo estimado em até R$ 8 milhões. Depois disso, o próximo passo é a busca pela captação de recursos necessários para viabilizar a restauração e, posteriormente, a criação do museu.

Segundo Maria Madalena do Amaral, arqueóloga que coordenou a primeira etapa do projeto, o objetivo arqueológico é mostrar a transformação pela qual passou o prédio até hoje.

– Nós dividimos a área em unidades quadriculadas de aproximadamente um metro quadrado para perceber os artefatos utilizados, as estruturas e os assoalhos. Queremos detectar o que exatamente se passava em cada parte da casa, qual era a função de cada cômodo, e contar essa história no futuro museu – explica a arqueóloga.

Para Átila Rocha, superintendente do Instituto de Planejamento Urbano (Ipuf), a restauração é peça fundamental no contexto político-social da cidade.

– Um museu de alta tecnologia vai incentivar e provocar o interesse da população de Florianópolis a interagir com informações históricas – ressalta.

Depois da polêmica

Em julho deste ano, a restauração do edifício esteve envolvida na polêmica relacionada à ONG DiverSCidades, entidade que firmou termo de parceria de R$ 25 milhões com a prefeitura de Florianópolis. O convênio foi cancelado quando se verificou que a arquiteta Cristina Maria Piazza, ex-diretora de Planejamento do Ipuf, era também presidente da ONG. O Ministério Público ainda investiga o caso.

– Essa história já passou. O contrato foi cancelado e não tem nada a ver com o trabalho que estamos fazendo agora – conta Átila.

Para relembrar Deu no DC
– A antiga Casa de Câmara e Cadeia, construída entre os anos de 1771 e 1780, é uma das três construções mais antigas do Centro Histórico de Florianópolis, ao lado da Catedral Metropolitana e do Palácio Cruz e Sousa.
– O primeiro lugar ocupado pela Câmara e Cadeia da Vila de Nossa Senhora do Desterro era composto por cinco pequenas casas que existiam no mesmo terreno onde, posteriormente, seria construída a nova edificação. Inaugurada em 29 de dezembro de 1780, o novo prédio foi feito para abrigar a cadeia e a Câmara, local onde tomaram posse muitos presidentes de província na época do Reinado.
– O Imperador Dom Pedro II chegou a visitar o prédio e mostrou total desaprovação com as precárias condições da cadeia, que funcionava no térreo. Sujeira, epidemias e até doentes terminais habitavam o local. Enquanto isso, no andar superior, decisões políticas eram tomadas.
– Apenas no início do século 20 a cadeia foi transferida para outro local e o prédio foi reformado. As feições arquitetônicas aos moldes da tipologia colonial luso-brasileira foram substituídas pela atual configuração, onde não se observam evidências físicas da presença da cadeia.
– Em 2007, audiências públicas resultaram na proposta de implantação do Museu Histórico da Cidade.
O DC publicou reportagens nos dias 21 de julho e 2 de agosto sobre a polêmica que envolveu a ONG DiverSCidades no processo de restauração do prédio.

A obra
– 1ª etapa – limpeza e remoção de entulhos – finalização este mês
– 2ª etapa – prospecção arqueológica – finalização em março de 2011
– 3ª etapa – restauração – finalização prevista para 2013
– 4ª etapa – construção do Museu Histórico de Florianópolis – ainda sem previsão
Fonte: Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf)

(PEDRO SANTOS, DC, 25/11/2010)

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