(Editorial, DC, 06/02/2010)

As alterações efetuadas no trânsito da Via Expressa Sul anunciam, finalmente, o começo da construção do elevado do Trevo da Seta, na Costeira do Pirajubaé, obra considerada de importância fundamental para desafogar o fluxo de veículos em direção ao Sul da Ilha de Santa Catarina. Há muito anunciada, a obra será iniciada em plena temporada de verão, o que certamente não é o momento mais adequado para tanto, eis que contribuirá para agravar ainda mais os congestionamentos que se originam neste gargalo e, não raro, se estendem por quilômetros. Como quer que seja, há que tocar a obra à frente. Florianópolis chegou a uma situação limite no que se refere ao trânsito. A população sofre na carne e no bolso os efeitos do caos que impera no trânsito local, e faz por merecer o título de cidade brasileira com a pior mobilidade, e o vice-campeonato mundial desta modalidade, superada apenas por Phuket, na Indonésia. O elevado da Seta, embora não possa ser encarado como uma solução definitiva ao problema do fluxo em direção ao Sul da Ilha, certamente vai amenizar a penosa situação.

Nas cidades brasileiras de maior porte, em geral, a falta de gestão integrada da política de transportes e do uso do solo urbano resulta na preferência pelo transporte particular em detrimento do transporte público, o que implica congestionamentos crônicos e “monumentais”, acarretando aumento de tarifas, custos econômicos, sociais e ambientais. Para a formulação de políticas de mobilidade e transporte urbano bem-sucedidas, como lembra a coordenadora de Estudos Urbanos do Ipea, Maria da Piedade Morais, é preciso gerar incentivos econômicos e culturais, diversificar e melhorar os serviços de transporte público, além de desestimular o transporte individual. Ou seja, não se trata apenas de construir viadutos, trevos, vias expressas e outros que tais, pois chegará o momento em que nem espaço haverá para tanto. A questão da mobilidade é política e cultural também. Mas, enquanto isso, que venha logo o elevado do Trevo da Seta na capital campeã da paralisia no trânsito.



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