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Feira Catarinense do Livro começa nesta quarta-feira

Pelo Centro de Florianópolis, estruturas montadas com lonas abrigam milhares de exemplares impressos de diversas áreas do conhecimento humano. São romances, não-ficções, quadrinhos, infanto-juvenis, grandes reportagens, best sellers, em formatos grandes ou de bolso. Os livros são os personagens principais da 2ª Feira Catarinense do Livro, que começa hoje na Capital.

O evento é promovido pela Câmara Catarinense do Livro (CCL) e irá homenagear como patrono Deonísio da Silva, escritor catarinense radicado no Rio de Janeiro. Quem está acostumado com as feiras literárias no Centro de Florianópolis, realizadas há muitos anos, pode estranhar o título. O presidente da câmara, José Vilmar da Silva, explica:

– A Feira do Livro vem sendo realizada desde 2002 no Largo da Alfândega, mas era chamada de Feira de Rua do Livro de Florianópolis. Em 2008, foi também chamada de Feira Catarinense do Livro, caracterizando um evento de maior abrangência. Nesta edição foi decidido não associar mais Florianópolis ao nome, pois a CCL promove também, há 23 anos, a Feira do Livro de Florianópolis, um evento municipal.

A estrutura conta com 28 estandes de distribuidoras, livreiros e editoras, empresas como o Grupo RBS e a Eletrosul e órgãos governamentais como a Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e a Fundação Catarinense de Cultura. Além disso, há um estande para o encontro com escritores, um palco com atrações culturais e uma sala de cinema, que exibirá filmes por meio de uma parceria com a Cinemateca Catarinense e que ocupa boa parte da programação.

Em comparação com Feiras do Livro de outras cidades catarinenses e de outras capitais brasileiras, a edição de Florianópolis costuma ser tachada de, no mínimo, modesta. Além do patrono, não está programada a presença de grandes nomes da literatura nacional. Na 6ª Feira do Livro de Joinville, realizada no início de abril, esteve presente o escritor Cristóvão Tezza, vencedor do Prêmio Jabuti 2008, com O Filho Eterno. Em Jaraguá do Sul, em 2007, a 1ª Feira de Rua do Livro trouxe Ana Maria Machado, Roberto Lanznaster, Marçal Aquino, entre outros.

O escritor e diretor da editora Letras Contemporâneas, Fábio Brüggemann, não vai participar da feira porque “não dá lucro”.

– Pessoalmente, e não falo como editor, acho a feira muito fraca. É legal ter como formadora de opinião e leitores, mas não tem nada de diferente do que se vê na livraria. Tinha que ser uma feira de editores, não de livreiros, porque o editor pode dar um desconto maior. Além disso, tinha que ter mais atividades paralelas, como em Porto Alegre, onde tem uma porção de debates e encontros com escritores. Aqui em Floripa parece um depósito de livros. Claro que quanto mais livros na rua, melhor, mas por que não agregar valor, com outras coisas? – afirma.

Autor de duas crônicas que criticaram a estrutura da feira no ano passado, o escritor Amílcar Neves lamenta o caráter comercial do evento.

– Até a edição do ano passado, não havia qualquer tipo de valorização da cultura, do livro, do escritor, de coisa nenhuma. Era mera feira comercial, sem qualquer preocupação cultural. Inclusive tira o movimento das livrarias especializadas, que vendem livros nessa época do ano (próximo a datas comemorativas). Deviam fazer quando a venda é baixa. Em outros estados tem efervescência cultural, é um clima diferente, de literatura, de cultura, não de feira. O livro não é como um pedaço de queijo, tem que ter um pouco mais de respeito e isso me incomoda. Isso tudo é muito triste, está faltando substância – comenta Neves.

Um dos expositores da feira, a Livrarias Catarinense não acredita que a feira tira leitores de suas lojas.

– Entendemos que o objetivo é atrair novos leitores e divulgar a importância da leitura, para que futuramente esses novos leitores também passem a frequentar as livrarias e bibliotecas, adquirindo assim o salutar hábito da leitura – afirma o supervisor Juarez Vidal.

O presidente da Câmara Catarinense do Livro defende o evento e afirma que a feira é realizada com poucos recursos (R$ 90 mil) advindos dos associados da CCL, dos expositores e de uma empresa privada, que teria colaborado com R$ 10 mil. Diz que buscou mais de 400 empresas para patrocínio, mas não teve sucesso. Apresentou um projeto para a Secretaria Regional da Grande Florianópolis e, no início da semana passada, foi informado de que estava parado.

Com ajuda da presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Anita Pires, conseguiu a liberação dos recursos solicitados, a poucos dias da inauguração.

– As críticas servem de incentivo para procurarmos fazer melhor. Realizamos a feira conforme nossas condições. Nosso projeto para a realização da 2ª Feira Catarinense do Livro, caso os recursos viessem, era trazer diariamente autores renomados da literatura nacional, trazer peças teatrais, promover cursos e palestras durante o evento, oferecer transporte e vale-livros aos estudantes e professores das escolas públicas de várias regiões do Estado, entre outros. No entanto, como os recursos são reduzidos e a CCL tradicionalmente paga suas obrigações em dia, não estamos conseguindo colocar esses projetos em prática – conclui José Vilmar.

(DC, 06/05/2009)

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1 Comentário

  1. Katheryne disse:

    Olá!
    Me chamo Katheryne Freitas e gostaria de saber se os organizadores da Feira leram o que o Sr. Fábio Brüggemann disse neste artigo. De certa forma ele tem razão quando fala que não há um diferencial na forma como os livros são apresentados. Ao pesquisar na internet sobre a Feira, não ví um site que tivesse alguma foto. Se tivesse um atrativo ( escritores, apresentação de fragmentos das obras)

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