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População exige soluções do poder público para salvar o que ainda resta do Rio Capivari

Audiência pública para discutir problema será realizada no dia 4 de maio, no Albino.

A situação agonizante do Rio Capivari, que recebe grande quantidade de esgoto e acaba poluindo o mar e a Praia de Ingleses, motivou a comunidade a protestar e exigir soluções do poder público. Uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Florianópolis será realizada no próximo dia quatro de maio, às 19 horas, no Albino Disco Club, em Ingleses, para discutir a solução do problema de poluição dos rios da região. A iniciativa foi motivada, em grande parte, pelo movimento encabeçado por moradores da região. O advogado Alfredo Koerich obteve um abaixo-assinado com mais de 1,2 mil participantes e um projeto técnico, elaborado pelo engenheiro José Tavares Neves, sobre a situação do Rio Capivari. Os documentos foram encaminhados ao Ministério Público, Fundação Municipal de Meio Ambiente (Floram), Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fatma) e Vigilância Sanitária.

“A população quer conhecer o pensamento dos que compõem a base do governo, do seu líder, enfim, com transparência, saber o que pode esperar da classe política, que nos representa junto às autoridades”, afirma o advogado no blog sosriocapivari.blogspot.com. “A população quer saber, também, a posição da Casan (conveniada da prefeitura), Vigilância Sanitária e Floram, que, com toda essa campanha instalada, mantém um silêncio inexplicável”, questiona Koerich. O movimento também envolve o Núcleo de Lideranças de Ingleses e Santinho, que realizou uma reunião no final do mês de março para discutir propostas de solução para o problema do rio, a ser e apresentadas durante a audiência pública.

“As pessoas fazem ligações de esgoto clandestinas na rede pluvial e mantém fossas sépticas inadequadas, que fazem o esgoto infiltrar-se no solo e poluir inclusive o aqüífero”, lembra Paulo Spinelli, membro do núcleo de lideranças. “O sistema pluvial de drenagem da água usado hoje em dia não é adequado, pois pode-se fazer um sistema com infiltração, como já se faz na estrada principal do Travessão, que permite a absorção da água pelo solo, ou então a canalização para o mar e rios”, explica Spinelli. “Com isso, não seria necessária a tubulação e as pessoas não jogariam o esgoto na rede pluvial”, acrescenta.

O gerente de Projetos da Casan, Fábio Krieger, informa que a empresa tem conhecimento da situação, mas no momento nada pode fazer. “A estação coletora dos ingleses está pronta e o sistema de esgoto na região também, mas eles aguardam o licenciamento ambiental da Fátima para poder concluir a instalação do emissário submarino”, afirma Krieger. Krieger defende que, com essa obra o problema da poluição deverá ser resolvido, pois haverá um tratamento do esgoto que atualmente é despejado no rio in natura. O estudo de impacto ambiental já foi entregue para análise, e segundo o gerente de Projetos da Casan, a definição e liberação da obra deve ficar apenas para 2010. No momento, Krieger orienta a população a procurar a vigilância sanitária e a Prefeitura de Florianópolis para que seja feita uma fiscalização no local com o objetivo de coibir esse tipo de ação.

Proposta de construção de emissários submarinos causa polêmica nas comunidades da Ilha de SC

A interminável novela da implantação dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto em Florianópolis ganhou mais um capítulo inesperado no final do último mês de março, quando a Casan realizou uma reunião do Conselho Municipal de Saneamento e apresentou proposta de alterar seu projeto para a capital, incluindo a construção de emissários, um deles em Ingleses, os demais no Campeche e Lagoa da Conceição. A rede proposta começará no Distrito de Santo Antônio de Lisboa, passará por João Paulo, Saco Grande, Centro, Ribeirão da Ilha e levará o esgoto bruto até o Campeche onde será feito um pré-tratamento e enviado via emissário submarino para alto mar. A idéia já gera polêmica e discussão entre a comunidade que teme possíveis prejuízos para o meio ambiente. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) está com a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma) e, depois de aprovado, deverá ser feita uma audiência pública.

O presidente do Conselho Comunitário de Ingleses, Márcio Porto, diz que, antes mesmo de realizar audiência pública, a Casan deveria realizar um seminário para explicar melhor o projeto à população. “Antes que a comunidade diga se está a favor ou não da proposta, é preciso conhecê-la bem e ainda não teve essa oportunidade”, avalia Porto. “É óbvio que queremos saneamento e lutamos por isso, mas precisamos saber em que condições era feito”, defende. A proposta já nasceu a partir de protestos das lideranças comunitárias locais, que apontaram o projeto original como prejudicial ao meio ambiente, já que os efluentes seriam lançados nas baías Norte e Sul da Ilha.

O representante da Casan na reunião, engenheiro Carlos Bavaresco, que apresentou as linhas gerais do novo projeto. Reconheceu que a empresa errou ao projetar diversos emissários de efluentes nas baías de Florianópolis, além de Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) em manguezais. Tanto que a empresa suspendeu a construção de uma estação que estava prevista para a Barra do Sambaqui e foi alvo de um movimento contrário da comunidade local. A Casan informa ainda que houve dificuldades criadas por entidades federais que negaram ou suspenderam licenças ambientais concedidas pela Fatma. Mesmo a nova proposta já encontra resistências. A gerente regional do Serviço do Patrimônio da União em Santa Catarina, Isolde Spíndola, informa que o uso de áreas da União precisa do aval do órgão, que poderá ou não autorizar o uso das mesmas.

(Alexandre Winck, Jornal Norte da Ilha, 27/04/2009)

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