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Casan ameaça manguezais da Ilha

A Casan escolheu os manguezais de Florianópolis como alvos preferidos. Não é só no de Ratones/Barra do Sambaqui que isso está acontecendo. No bairro João Paulo, onde também se situa uma área da Estação Ecológica de Carijós, a unidade de tratamento foi feita na marra – recebe os esgotos do Floripa Shopping e das instalações do Governo do Estado. Segundo o responsável pela Estação de Carijós, Apoena Figueiroa, a obra foi autorizada pelo Ibama mediante o compromisso da Casan de realizar um estudo de correntes da Baía Norte. Isso não aconteceu até hoje.

Outros dois manguezais estão ameaçados com estações de tratamento de esgotos: o do rio Tavares, onde se situa a Reserva Extrativista do Pirajubaé, o o pequeno porém não menos importante manguezal da Tapera. O primeiro vai receber os esgotos do Campeche e o segundo do Ribeirão da Ilha, num total de cerca de 30.500 usuários. As informações são de Ari Wolff, maricultor no Sul da Ilha e membro do futuro Conselho Municipal de Saneamento, transmitidas durante a reunião de ontem (10.2) à noite no Conselho Comunitário da Barra de Sambaqui.

Teóricamente as estações vão tratar os esgotos e lançar efluentes com purificação de 95% a 98%. Na prática, entretanto, sabemos que não é bem assim, com base na experiência concreta, a começar pela ETE instalada na sala de visitas da cidade, pilhada em flagrante pelo TCE-SC lançando nas águas da Baía Sul o lodo alí produzido. Se isso acontece na frente de todos, moradores e visitantes, podemos imaginar o que pode rolar numa estação distante, como a da Barra do Sambaqui. Sem contar a imperícia eventual na operação dos equipamentos e as quedas de energia elétrica. Como repórter do jornal A Notícia, sucursal de Florianópolis, flagrei mais de uma vez o extravasamento de esgotos no rio do Brás, em Canasvieiras, devido a chuvas intensas.

Outro aspecto dessas ETEs que a Casan projeta instalar é o tipo de tratamento que efetua, o biológico, visando a eliminação de coliformes e outras bactérias. Não passam pelo filtro dessas estações os elementos químicos – metais pesados, noçivos aos organismos vivos, e nutrientes na forma de fósforo e nitrogênio, por exemplo, usados em fertilizantes.

O lançamento desses nutrientes em larga escala amplia a proliferação de algas, levando ao surgimento mais frequentes das “marés vermelhas” e provocando a eutrofização (morte) dos corpos d’água. Um exemplo é o que acontece no trecho sul da Lagoa da Conceição, onde as algas que se multiplicam aceleradamente por causa da alimentação farta, aumentam o consumo do exigênio da água e impedem que os raios de sol façam sua parte na natureza.

Estamos diante de um grande crime ambiental sendo perpetrado pelo poder público, sem que as autoridades responsáveis tomem (aparentemente) qualquer providência. No plano municipal temos o dirigente máximo da Floram atuando sob comando direto do chefe do Executivo. Na esfera estadual figura a Fatma, mas seus dirigentes estão mais preocupados com o esquartejamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o esdrúxulo Código Estadual do Meio Ambiente e, lógico, os cuidados com o conteúdo do cofre. Nessa linha que combina o corpo-mole frente às agressões ambientais com a agressividade diante da natureza, a Polícia Ambiental também não pode fazer muita coisa.

As esperanças se voltam para os órgãos federais. O Ministério Público Federal acompanha com interesse o caso e pode agir. Os técnicos do Ibama parecem estar contidos por intesses privados e oficiais, por conta do namorico entre o PT e o PMDB – a senadora Ideli Salvati conta com o apoio do governador Luiz Henrique da Silveira em seu projeto de chegar ao Governo do Estado. E temos finalmente a delegada da Polícia Federal Julia Vergara, quietinha no seu canto, mas certamente atenta para o que fizeram nos manguezais do Itacorubi e Saco Grande e pretendem fazer no Ratones, Rio Tavares e Tapera.

Toda essa pressa, segundo Ari Wolff, decorre da iminente criação do Conselho Municipal de Saneamento, do Plano Municipal de Saneamento e de um órgão regulador. A Casan não quer ser obrigada a democratizar suas ações, decisões e investimentos, que vão ser controlados por essas futuras instituições. Por esse motivo, a empresa não quer nem saber de estudo de impacto ambiental e outros “luxos”, preferindo tocar seus projetos na marra e a toque de caixa, aproveitando os recursos do PAC. Toda essa imundice mal tratada vai, afinal, chegar às águas das baías Norte e Sul, que já recebem as descargas in natura dos rios Maruím, Cubatão e Araújo (trecho sul) e do rio Biguaçu (norte), entre outros.

(Sambaqui na Rede, 12/02/2009)

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2 Comentários

  1. Paulo Geyer disse:

    parabéns pelo trabalho de investigar e divulgar as irregularidades que acontecem na ilha, já faz um bom tempo que se fala a respeito desde desrespeito a natureza e é bom ver que existe gente denunciando a falta de atitude das autoridades!

  2. Paulo Valente Ferreira Neto disse:

    Parabéns em comentar a ameaça que a CASAN representa . Só faltou mencionar que o emissário submarino do Campeche realmente vai sair , contrario a opinião publica .

    Nesse caso oque vale mesmo e’ a retrógrada visão da empresa … lamentável

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