A limpeza que a prefeitura de Florianópolis faz nos córregos e rios da Bacia Hidrográfica do Itacorubi não será suficiente para evitar cheias como as registradas no início de fevereiro.

O alerta foi feito ontem (11/03) pela procuradora da República Analúcia de Andrade Hartmann, que atua no Núcleo do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (MPF), durante audiência pública na Câmara de Vereadores.

De acordo com a procuradora, o manguezal do Itacorubi, para onde escoa toda a água da chuva na região, está “sobrecarregado de esgoto e lixo” e, por isso, não consegue absorver o excedente, provocando, assim, os alagamentos de ruas e avenidas em dias de temporais.

“Isso que está sendo feito é muito pouco, temos que fazer uma limpeza monitorada do manguezal”, afirmou a procuradora da República, que criticou a forma como a prefeitura age na região e, também, os moradores que lançam lixo nos cursos dágua e até mesmo no próprio mangue.

Conforme Analúcia, sacos plásticos e grande quantidade de restos de material da construção civil fazem parte da paisagem do manguezal do Itacorubi, contribuindo para o assoreamento do ecossistema - a procuradora ainda classificou de “vergonhoso” o sistema de saneamento básico da Capital e do Estado.

Lei do Defeso deve ser votada apenas em abril

Presente à audiência, o diretor superintendente da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), José Carlos Rauen, explicou que a prefeitura já iniciou licitação para que seja realizado um estudo de impacto ambiental para a limpeza do manguezal do Itacorubi.

Ele também alertou os moradores sobre a necessidade de se ter maior comprometimento com o ambiente, evitando que seja jogado lixo na região do manguezal, por exemplo. Enquanto isso, ainda tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara o projeto que prevê a suspensão de novas construções nos bairros da Bacia do Itacorubi.

Proposta defendida por 14 associações de bairros, a chamada Lei do Defeso deve ir à votação apenas em abril, segundo previsão do vereador João Batista Nunes (PR).

“Essa morosidade só beneficia os empresários”, criticou Nunes, autor da proposta encampada pelo Executivo.

(DC, 12/03/08)



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