Da coluna de Cacau Menezes (DC, 23/01/08)

Em Jurerê, tem uma meia dúzia que chegou de fora dando uma de doutor, como diz a letra do Calibrina que virou hino dos manezinhos. “Então te arrombas, istepô!”.

Compraram um imóvel, geralmente financiado por banco do governo, e acham que adquiriram a ilha do Ivo Pitanguy em Angra dos Reis, querendo fazer de Jurerê propriedade privada. Não gostam de gente na praia e nas ruas, de negros tocando pagode, de ônibus, de táxi, querem Zona Azul, restaurante sem música, bares sem cadeiras na frente, mar sem lanchas, verão sem festas… como se Floripa fosse um spa, uma cidade só para anciões. Gente bonita, divertida e tatuada ofende.

Nunca passei procuração nenhuma para essa ou aquela (e são muitas) associação decidir nada em meu nome. Jurerê é público, não é bairro de associação e muito menos de empresas. É 100% do povo. De qualquer povo. Do morro, da favela, dos castelos marroquinos… E também dos moradores. Dos nativos, principalmente.

É que alguns desocupados, que não conseguiram sequer ganhar eleição de síndico nas suas cidades, agora, em nome de três ou quatro da “diretoria”, querem ditar todas as normas no bairro. O que deviam fiscalizar, no nariz de todos, ficam calados. Lutamos por liberdade, não por repressão. Os incomodados que se retirem. Da cidade.



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