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Emflotur mantém tarifas sem o reajuste




A Emflotur mantém hoje (25/01) a decisão de não praticar o reajuste de 4,15% nas tarifas das 11 linhas que opera. O ato amplia a queda-de-braço com a Prefeitura de Florianópolis, que ameaça aplicar as sanções legais e até substituir a empresa na operação dos ônibus que atendem basicamente a parte continental da cidade.

Ontem, ao sair de uma reunião com as demais empresas de transporte público, o diretor da Emflotur, Léo Xavier, disse que “a princípio, os valores serão mantidos até que se vislumbre outro resultado” para o impasse.

O empresário ainda comentou a ameaça do secretário municipal do transporte, Norberto Stroisch. “É muito desagradável para nós. Se estivéssemos aumentando acima do permitido eu até entenderia. Mas queremos é um benefício para os usuários. Não sei como a população vai reagir ao fato da prefeitura adotar uma postura que vai contra ela”, afirma Xavier.

A Emflotur se nega a cobrar R$ 1,98 (no cartão) e R$ 2,50 (em dinheiro), pois avalia que o patamar anterior, de R$ 1,90 no cartão e R$ 2,40 em dinheiro, já seria alto demais para os usuários das suas linhas.

“Nos sentimos acuados. Mas não tomamos esta decisão para afrontar o poder público”, comentou Xavier. Segundo ele, a passagem poderia custar até R$ 1,80. “O quê está acontecendo (com o atual sistema de tarifa única) é que o morador da Vila Aparecida, uma região carente, está subsidiando o dono da mansão em Jurerê Internacional, para pagar a passagem da empregada dele”, exemplifica.

Além da Emflotur, a Estrela também questiona o sistema de transporte de Florianópolis. O diretor da empresa, Guido Formento, contou que o reajuste foi obedecido, mas que o tema estaria sendo debatido com a comunidade.

Segundo ele, caso os usuários das 14 linhas que a Estrela opera no Município decidirem que não querem subsidiar quem utiliza as linhas de longa distância, existe a possibilidade do patamar antigo voltar a ser usado.

“Queremos discutir a questão e sensibilizar o prefeito. É uma concessão pública, mas quem manda aqui é o povo. Não existe almoço grátis, alguém paga a conta. E, neste caso, quem está pagando é a população do Continente. Não adianta o secretário ficar ameaçando. Isso não leva a nada”, argumentou.

De acordo com Formento, nos dois últimos anos, Emflotur e Estrela não tiveram aumento de arrecadação e o prejuízo da sua empresa seria de R$ 800 mil ao ano.

Secretário Stroisch afirma que contratos vão ser cumpridos

O secretário municipal dos transportes, Norberto Stroisch, foi enfático ao dizer que não descarta uma intervenção na Emflotur. “A Prefeitura tem as prerrogativas para tomar as sanções legais e até abrir licitação para um novo operador das linhas”, explica. “A questão é muito prática. Aqueles que não estejam satisfeitos que levantem acampamento. Está no contrato, as linhas menores subsidiam as linhas maiores”, acrescenta.

Para o diretor da empresa, Léo Xavier, o melhor seria sentar com a Prefeitura, conversar e buscar uma alternativa para a questão. Um processo de intervenção na opinião dele seria “desnecessário”. “Não vai resolver nada. O problema não é a Emflotur. Quem entrar (para operar as linhas) vai enfrentar a mesma situação. Qual empresário vai querer assumir algo que dá prejuízo?”, questiona.

(AN Capital, 25/01/08)



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