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Os contrastes verificados nas áreas públicas de Florianópolis adotadas por empresários e nos locais que permanecem “orfãos” são muito visíveis. Enquanto alguns espaços receberam revitalização por conta de recursos privados, outros, ainda sob custódia da Prefeitura, se encontram degradados e com aparência de abandono. A interferência da sociedade civil ganhou fôlego a partir de 2005 com a criação do Movimento FloripAmanhã, que reativou o programa “Adote uma Praça”, iniciando uma mudança visual no cenário urbano. A presidente da ONG, Anita Pires, informa que atualmente 40 praças possuem “padrinhos” e muitos “batizados” se encontram em curso. “Nosso objetivo é despertar o espírito de cidadania, tendo em vista que o poder público está fragilizado e não atende a demanda”, declara. Ela lembra que o projeto original é de autoria do ex-prefeito Edison Andrino (PMDB), aprovado pela Câmara de Vereadores em 1985 e abandonado nas gestões seguintes.

Anita explica que a ONG assinou termo de cooperação com a Prefeitura, e atua como uma ponte entre o empresariado e o poder público. Florianópolis possui 73 praças, 15 parques públicos e seis largos com uma área total em torno de 567.872 m2 distribuídos entre a Ilha e o Continente, sob responsabilidade da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). Entre os locais adotados recentemente pela sociedade civil estão a praça 15 de Novembro, os canteiros da avenida Madre Benvenuta, a praça República do Líbano, todos os canteiros e logradouros de Ingleses, o largo da Alfândega, o lago das Bandeiras e a avenida Beira-mar Norte. “As praças Esteves Júnior, Nossa Senhora de Fátima, Getúlio Vargas e Amaro Seixas Neto em breve também ganharão novo layout”, anuncia Anita. A empresária exemplifica ações como o plantio de 100 palmeiras jerivás na Beira-mar Norte. ” O local ficou com outra aparência”, declara.

Com foco na sustentabilidade e no embelezamento da Capital, Anita lembra que não basta apenas revitalizar os espaços. “É preciso criar a cultura do cuidado com o patrimônio público”, explica, lembrando que a comunidade deve voltar a freqüentar os locais, atualmente abandonados e tomados por marginais. Por conta disso, a segunda etapa do processo prevê a realização de atividades culturais nos espaços. “Estamos buscando parcerias com associações de músicos, grupos de teatro, folclore, enfim com setores ligados à área para o desenvolvimento de agendas atrativas”, informa a empresária. Na sua opinião, esta é a única maneira de evitar a degradação, especialmente no Centro da cidade.

O superitendente da Floram, Francisco Rzatzki, acredita que as parcerias entre Prefeitura e empresariado apontam um cenário positivo para 2007. “Com ampliação das adoções, temos condições de revitalizar os espaços não adotados”, declara. “Além disso, o vandalismo, infelizmente, é um processo difícil de ser revertido”, lamenta. Rzatki diz que o envolvimento da comunidade é fundamental para a manutenção das áreas públicas. “Locais bem freqüentados afastam pessoas com más intenções”, avalia. Ele informa que a Floram, com o envolvimento do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), está realizando projetos que incluem o plantio de árvores, flores e troca de equipamentos em cerca de 20 praças. Questionado sobre o abandono das praças Getúlio Vargas e Tancredo Neves, no Centro, que apresentam sujeira e equipamentos quebrados, o superintendente afirma que a primeira já foi adotada e a segunda está em processo de negociação. “Estamos aguardando os projetos”, informa. As mudanças devem obedecer critérios como posição da praça em relação a monumentos e plantas adequadas ao local.

Comerciante planta flores em avenida

Um canteiro de cerca de 100 metros, na altura do número 697 da avenida Mauro Ramos, chama atenção das pessoas que transitam no local. Um jardim muito bem cuidado, com diversidade de plantas, cercado cuidadosamente por arbustos bem aparados, quebra a linearidade fria da ausência de cuidado com o paisagismo da via. A iniciativa de humanizar o local foi do comerciante Vilson Rodrigo Corrêa, que há 10 anos cuida do canteiro público como se fosse o pátio de sua casa. “Quando comprei o bazar, decidi cuidar da área para ter um visual mais bonito em frente ao estabelecimento”, recorda. Mas o namoro de Vilson com a natureza remonta à infância. “Minha mãe me educou a amar as flores e a cuidar delas desde a infância”, complementa.

Berço

Os ensinamentos maternos resultaram em uma dedicação diária do comerciante. Para manter as tuias, girassóis, rosas, pitangueiras, jabuticabeiras e coqueiros, entre outras plantas, o comerciante já arrumou muitas brigas. “As pessoas são mal educadas, pisam no jardim e roubam as flores com raiz”, reclama. Vilson diz que a persistência não o faz desistir. “Sempre que as plantas são arrancadas planto outras no lugar. Além disso, rego e tiro o capim todos os dias”, explica. Ele considera positivo os empresários adotarem áreas públicas da cidade, mas faz um alerta. “Não adianta apenas plantar e colocar a placa. O processo demanda continuidade”, ensina.

(Gisa Frantz, A Notícia, 04/03/2007)

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