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Crescimento imobiliário inviabiliza Cidade das Abelhas

A Cidade das Abelhas, centro de excelência em pesquisa e apoio à apicultura reconhecido nacionalmente, está sendo expulso de Florianópolis pelo crescimento urbano. A proximidade de dois loteamentos (um já existente e outro a ser implantado), expõe os moradores próximos a picadas de abelhas e limita a possibilidade de ampliação e diversificação do trabalho. Em razão desses problemas, a unidade deve ser transferida em dois anos para Blumenau, onde a prefeitura local cedeu uma área de 70 hectares. Lá, a unidade será ampliada e transformada no Centro de Excelência em Pesquisa, Desenvolvimento e Difusão de Tecnologia sobre Abelhas (CPDT-Abelhas). O centro atual, na Capital, será transformado num parque ambiental.

A unidade ligada à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) está atualmente instalada numa área de 20 hectares no bairro Saco Grande, atrás do Centro Administrativo do Governo do Estado. A expansão do bairro, de um lado da área, e a futura construção de um novo loteamento, do outro, reduziram a margem de segurança e estão inviabilizando o trabalho com as abelhas. “Precisamos de um afastamento de pelo menos 300 metros de ocupações urbanas, por razões de segurança”, disse o diretor da Cidade das Abelhas, Horst Kalvelage. Hoje as casas já estão a cerca de cem metros dos apiários.

O trabalho de pesquisa e apoio a apicultores é realizado no Estado há mais de 50 anos, desde que foi criada uma unidade específica dentro da Secretaria de Agricultura. Hoje a Cidade das Abelhas trabalha com três focos de pesquisa: seleção de abelhas-rainhas (cedidas aos produtores), flora apícola (vegetação que favorece a produção das abelhas) e sanidade apícola (manutenção dos insetos livres de doenças, vital para a qualidade da produção). O centro também coordena um projeto-piloto de produção integrada, envolvendo 105 pequenos produtores espalhados pelo Estado.

A produção de mel e outros produtos das abelhas envolve cerca de 30 mil famílias no Estado. “São produtores que mantém de duas a até mil caixas de abelhas”, disse Kalvelage. A produção anual média de mel é de 4,5 mil toneladas, chegando a 6 mil toneladas em anos bons. Em Florianópolis, justamente em função da intensa urbanização da região, há muito pouco. “Há produtores no entorno na região, nos municípios de São Bonifácio e Rancho Queimado, já na subida da serra”, disse o diretor da Cidade das Abelhas.

O mel brasileiro é considerado de alta qualidade porque as abelhas usadas aqui, resultado de cruzamentos entre espécies européias e africanas, são mais resistentes a doenças. Isso que permite dispensar uso intensivo de antibióticos, que podem deixar resíduos no mel. O objetivo do novo centro é ampliar o trabalho de pesquisa voltado para o aumento de produtividade dos produtores. “O Brasil tem um potencial de produção de 150 mil a 200 mil toneladas, mas só produz 40 mil, em razão do baixo consumo interno e dificuldades de acesso ao mercado externo”, disse Kalvelage. Metade da produção é exportada.

Área será parque ambiental

O projeto de transformação da atual Cidade das Abelhas num parque ambiental deve ocorrer de forma simultânea com a instalação do CPDT-Abelhas em Blumenau. “A idéia é que essa área seja mantida como um braço do centro de pesquisa, voltado para educação ambiental e turismo, mantendo uma atividade em menor escala com unidades didáticas para visitação”, disse Horst Kalvelage.

O parque ambiental teria as construções atuais recuperadas, estacionamento para ônibus e um novo projeto paisagístico. Os visitantes conheceriam unidades de extração de mel, beneficiamento de cera, o apiário e a casa da rainha, unidades que já existem hoje, mas não têm uma estrutura adequada para uma atração turística voltada para a educação.

O projeto prevê ainda a substituição de um bosque de eucaliptos por vegetação nativa associada à produção de mel. “Os eucaliptos foram plantados para que as abelhas se alimentassem, mas hoje não cumprem mais essa função e oferecem risco”, disse Kalvelage. As árvores estão velhas, produzindo poucas flores, e muito altas, o que limita muito o acesso das abelha a alimento. Além disso, por serem muito grandes, há risco de desabarem. “Quando há vento forte, fechamos o acesso ao local”, disse o diretor. Mas a transformação da área em parque ambiental ainda depende da captação de recursos. “Pretendemos buscar alguma sustentabilidade, vendendo produtos e explorando o turismo”, disse Kalvelage.

Número de pesquisadores passará para 23

A implantação do CPDT-Abelhas em Blumenau dependerá da captação de R$ 6 milhões. “Como já somos uma referência nacional, esperamos obter recursos do governo federal e instituições de pesquisa”, argumentou o diretor. O centro será instalado numa área de 70 hectares no bairro Garcia. O local é contíguo a uma grande região ainda florestada. “Queremos fazer um projeto ambientalmente correto, interferindo o mínimo possível no local”. Um levantamento do relevo está em elaboração, para embasar o projeto arquitetônico. A área construída terá 3,4 mil metros quadrados, mais que o triplo do tamanho das instalações atuais. O número de pesquisadores também será ampliado dos atuais cinco para 23.

O projeto de Blumenau também pretende ser auto-sustentável. O CPDT-Abelhas deve obter uma articulação do setor público (Epagri, universidades, Embrapa , Cidasc ) com o setor produtivo (Associações de Produtores) e com a iniciativa privada. A parceria com outras instituições de pesquisa, ensino e extensão em nível nacional e internacional é considerada imprescindível. “Queremos atrair pesquisadores de pós-doutorado para que façam seus estudos na unidade e oferecer treinamento de nível superior”, informou o diretor. Uma das idéias é desenvolver equipamentos e softwares ligados à apicultura, com os royalties revertendo como receita para o centro.

O grupo deve reunir pesquisadores e extensionistas (difusores de tecnologia) de diferentes formações (agronomia, biologia, engenharia florestal, medicina, medicina veterinária, zootecnia, bioquímica, farmácia, informática, economia e administração) com formação em nível de graduação, mestrado ou doutorado.

A participação conjunta de pesquisadores, extensionistas e administradores rurais num mesmo projeto permite que a tecnologia gerada chegue de forma ágil ao apicultor, ao meliponicultor ou ao agricultor e seja aplicada de forma adequada, viabilizando a sustentabilidade do agronegócio. Além disso, a pesquisa e desenvolvimento de tecnologia com os produtos das abelhas como o mel, própolis, pólen, geléia geral e apitoxina, para utilização na saúde humana será incentivada, como já ocorre em vários países.
(Carlito Costa, A Notícia, 07/08/2006)

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3 Comentários

  1. Gisele Lima disse:

    Sr. Diretor
    Horst Kalvelage

    Sou Psicopedagoga da Escola de Ed. Básica Pe. Anchieta (da Rede Estadual de Ensino)localizada na Agronômica. Em nosso planejamento de 2008, com as séries iniciais resolvemos que levaremos nossos educandos para visitar a Cidade das Abelhas, pois vem ao encontro com o tema gerador da nossa escola, Opção pela Vida.
    Fiquei profundamente entristecida ao ler neste site, que há um projeto a ser implantado, transferindo esse maravilhoso parque da nossa cidade para Blumenau. A nossa ilha possui tantas terras e universidades que podem auxiliar na implantação deste mesmo projeto em novo espaço para nossas abelhas, aqui mesmo em Florianópolis. Pense com carinho, a cidade das abelhas é nossa, para visitação, estudos e pesquisa além de produzir o mais doce mel da nossa ilha.

    Agradeço desde já sua atenção.

  2. Por mais que o crescimento da área urbana de Florianópolis seja inadequado e desordenado, se tornou uma realidade e nós não estamos nos preparando para ele.
    É uma pena perder a Cidade das Abelhas, mas o foco de Florianópolis deve ser assegurar o desenvolvimento urbano. Infelizmente, as prioridades mudam.
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte na nova jornada.

  3. Hello
    I’m wanting to contact Horst Kalvelage.
    I would be grateful if someone could send me his email address.
    Wendy Rose Isbell
    wisbell@thelighthouse.co.nz

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