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A encenação de quatro peças de teatro por crianças entre nove e 12 anos de idade, que estudam na Escola Desdobrada João Francisco Garcez, no Canto da Lagoa, será o ponto de partida para a criação da Agenda 21 Escolar da comunidade. A atividade está marcada para ocorrer a partir das 19 horas de hoje, no salão paroquial da igreja de Nossa Senhora Aparecida, e também servirá para a criação do fórum integrado pela escola e moradores visando desenvolver ações na área do meio ambiente.

Orientados pela coordenadora da Agenda 21 Escolar no Canto da Lagoa, professora Patrícia Oliveira Machado, os alunos foram divididos em quatro grupos e receberam textos sobre assuntos ambientais. Com base nesses materiais foram elaborados os roteiros das apresentações de teatro: “Eco-cidadão”, “Considerando o lixo”, “Conhecendo para preservar” e “Carta da Terra” – esse último, um teatro de bonecos. Temas como a poluição da lagoa, a falta de saneamento e a ausência de calcadas serão abordados.

“A gente quer caminhar e não pode, as calçadas não tem espaço”, disse Alícia Schütz, de 10 anos. “O eco-cidadão é aquele que não provoca queimadas, não suja os rios, nem joga lixo no chão”, emenda Thalles Feliciano, 11 anos. “A Agenda 21 foi criada durante um encontro no Rio de Janeiro em 1992, depois no Brasil, depois em Santa Catarina, o segundo Estado a fazer isso, e em Florianópolis. Agora está sendo criada a Agenda 21 Escolar”, ensinou o estudante. O aprendizado do conteúdo já está “incorporado” nos alunos, disse a professora Patrícia Machado, o que pode ser confirmado nas diversas falas. “Não pode cortar árvore, não pode poluir”, afirmou Nathália Costa, 10 anos, integrante do grupo que vai apresentar a peça “Considerando o lixo”, trabalho que discute o comportamento de uma criança que joga lixo e cascas de alimentos no chão.

Os alunos-atores da peça “Conhecendo para preservar”, vão falar de poluição e fazer um alerta às pessoas que costumam acampar e não se preocupam com o destino final do lixo. “Criamos uma música: Não jogue lixo no chão, somos todos irmãos”, canta Nadjamara Nascimento Silveira, 9 anos, acompanhada dos colegas. Em “Carta da Terra”, as crianças vão falar da água – “não devemos gastar, nem deixar a torneira aberta”, observou Leandro Gilson Pereira, 10 anos.

“A Agenda 21 Escolar não é só para os alunos, mas para toda a comunidade”, explicou Allyson Duarte dos Santos, 12 anos. “Não podemos deixar a torneira aberta, nem jogar esgoto, água, papel e plástico nos rios e na natureza”, acrescentou. Integrante do trabalho “Carta da Terra”, Júlia Alice da Costa, 10 anos, falou da necessidade de “economia da água” e da igualdade entre as crianças. “Todas são iguais e algumas são especiais”, disse.

Até anos 70, isolamento ajudava na proteção à Lagoa

Até a década de 1970, o Canto da Lagoa ainda era um “local de difícil acesso”, segundo a professora Marilde Fonseca, num texto que integra o Projeto Político Pedagógico da Escola. Sua estrada “sinuosa e sem pavimentação impedia, em dias chuvosos, o tráfego de automóveis e de transportes coletivos”. Por volta de 1972, a população precisava se deslocar até a Lagoa da Conceição para tomar o ônibus nos deslocamentos até o centro da cidade. “Muitos moradores possuíam carroças e se locomoviam a cavalo ou de barco”.

Naquele tempo, “existiam poucas casas e todas de construção muito simples”, segundo a professora Marilde, cujos moradores atuavam na pesca, na lavoura e no fabrico de farinha de mandioca. “Também criavam animais para consumo próprio” e, ainda no início da década de 1970, muitos viajavam para Rio Grande (RS) e Santos (SP) “para pescar, pois era mais lucrativo”.
As mulheres faziam o serviço doméstico, renda de bilro e ajudavam na lavoura. “Os diversos córregos existentes agrupavam mulheres e crianças todos os dias, para a lavagem da roupa”, servindo também para o abastecimento doméstico. As mangueiras eram estendidas entre as nascentes e as residências, hábito que em parte ainda se mantém.

“Da estrada, a lagoa podia ser vista em praticamente toda a extensão de suas margens, pois as casas que ficam próximas a ela eram pequenas e sem muros”, acrescentou a professora. “Os ranchos para as canoas também completavam a paisagem característica de uma localidade onde a pesca era um dos meios de subsistência dos moradores”. Nas noites sem Lua, “era comum avistar muitas luzes de lampiões na lagoa, sinal de realização da pesca de camarão”, também praticada nas margens, com tarrafas.

Na década de 1980, a paisagem se mantinha. “A maioria dos moradores eram pessoas nascidas na localidade. As casas existentes ficaram à beira da estrada, com fundos para a lagoa ou para o morro. O bairro contava com apenas duas pequenas casas de comércio”. A partir de então, o adensamento demográfico se torna presente, com a construção de casas em direção ao morro e o surgimento de várias servidões, além de condomínios fechados.

Comissão para debater temas será criada hoje

Segundo a coordenadora pedagógica Marilde Fonseca, da escola João Francisco Garcez – morador local que há cerca de 40 anos doou o terreno onde foi erguido o estabelecimento – “a educação ambiental vai além das questões só da natureza, pois o próprio homem faz parte dela”. Por esse motivo, ao ser constituída a comissão da Agenda 21 Escolar do Canto da Lagoa, hoje à noite, diversos assuntos vão ser levantados.

“A falta de áreas de lazer, a necessidade de ampliação da escola, a ausência de saneamento e o desaparecimento dos acessos à lagoa, cercada por muros e portões, são temas que já foram levantados em outras reuniões com os pais dos alunos e devem ser debatidas novamente”, explicou Marilde. “Estamos com problemas de segurança no trânsito por causa da falta de sinalização”, acrescentou, situação que se agrava nos fins de semana quando os restaurantes locais recebem centenas de clientes e a ausência de estacionamento se torna evidente. A partir da criação da comissão da Agenda 21 Escolar, será elaborada uma “lista de problemas e soluções e a definição de ações a serem implementadas” complementou Marilde.

Teoria e prática

Segundo o secretário municipal de Educação, Rodolfo Pinto da Luz, a iniciativa tem “empolgado os alunos e as comunidades”. A iniciativa surgiu de conferências infanto-juvenis sobre meio ambiente, realizadas nas escolas do município no ano passado com o apoio dos ministérios da Educação e do Meio Ambiente.

“Esse ano as comissões que foram criada na época estão promovendo debates e criando os fóruns integrados por alunos, professores e comunidades”, salientou o secretário. O trabalhos de educação ambiental nas escolas do município, defendeu, “precisam unir a teoria com a prática e o envolvimento das crianças, dos pais e dos professores”. Quase todas as escolas da rede municipal já aderiram à iniciativa.
(Celso Martin, A Notícia, 12/07/2006)

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