Falta de tratamento de água é questão de saúde pública
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Santa Catarina tem sexto maior produto interno bruto (PIB) do País, no entanto é um dos mais carentes em saneamento básico. Mais de 1,24 milhão de catarinenses não tem acesso à rede distribuição de água e 5,1 milhões de pessoas, ou 95% da população, não estão oficialmente servidos por rede de coleta de esgoto. Apenas 7% da população urbana possui coleta de esgoto e só uma parte dessa coleta é tratada. Estes são dados preliminares de um diagnóstico elaborado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (SDS). Na terça-feira (30/5), os resultados foram discutidos em uma oficina técnica com a participação de representantes da SDS, Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan), Fundação do Meio Ambiente (Fatma) e pesquisadores de universidades.

O objetivo do trabalho é definir estratégias para o planejamento do setor de água e esgoto do Estado. O diagnóstico apontou que o setor de saneamento vive uma situação crítica em Santa Catarina e as principais necessidades são institucionais e de organização da legislação. No setor de abastecimento de água, o Estado apresenta índices superiores à média nacional, mas não por isso satisfatórios. A realidade é que 1,24 milhão de pessoas (22,7%) não contam com rede de abastecimento potável. Em áreas urbanas são 250 mil catarinenses – pouco menos que a população de Blumenau, segundo Censo 2000 do IBGE. “Não sabemos a qualidade da água que essa população esta consumindo, pois ela não esta listada oficialmente”, enfatizou o secretário Sérgio Silva. Outro dado preocupante diz respeito ao desperdício de água das empresas, cuja média é de 38%.

A SDS também apresentou um diagnóstico da qualidade da água no Estado. Para a realização deste trabalho foram escolhidos dois municípios de cada região hidrográfica, nas quais foi desenvolvida a pesquisa, considerando os parâmetros mais representativos: ph, cloro residual, cor, flúor, coliformes fecais, entre outros. De acordo com Silva, o resultado do diagnóstico constitui um importante documento de indicadores em diversas localidades, que poderá ser consultado por empresas na hora de captar a água.

O diagnóstico vai ser concluído no final do ano e, de acordo com Silva, deve embasar várias ações. “Estamos atacando várias frentes como a outorga da água, o monitoramento da água e sua disposição, e principalmente políticas públicas para o uso da água. A intenção é elaborar o plano estadual a partir de informações das pesquisas das universidades e outros trabalhos”, comentou o secretário.
(Aline Machado Parodi, A Notícia, 01/06/2006)

Casan contesta dado

Apesar de a Casan fazer parte da equipe que está elaborando o diagnóstico, o presidente da empresa Walmor de Luca, contesta os dados da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável. “Os números que temos na Casan é que 13% da população é atendida por rede de esgoto, mas eu venho afirmando que esse percentual é de 11%. Mesmo assim é um índice vexatório para Santa Catarina”, declarou De Luca. Para mudar os índices, De Luca afirma que estão previsto para 2006 investimentos na ordem de R$ 94 milhões, mas por enquanto a estatal tem apenas R$ 60 milhões disponíveis. “Esses recursos são próprios da Casan, o restante estamos analisando onde buscar”, disse o presidente.

Ele também lembra que a partir do ano que vem deve ser liberado os financiamento que a Casan está negociando com o Japan Bank Internation Corporation (JBIC). “São R$ 800 milhões liberados em oito anos, sendo que mais de 50% podem ser num prazo de quatro anos”, disse De Luca. O financiamento será encaixado na modalidade do fundo de meio ambiente do JBIC onde os juros podem cair de 1,8% ao ano para 0,75%, a carência de sete pode ficar em dez anos e o prazo de pagamento de 25 ser aumentado para 40 anos.
(Aline Machado Parodi, A Notícia, 01/06/2006)

Joinville quer suprir 60% do tratamento de esgoto em quatro anos

Para dobrar a capacidade de coleta e tratamento do esgoto em Joinville serão investidos, ainda este ano, R$ 42 milhões. O atendimento deverá passar dos atuais 12% para 25% da demanda. Um dos projeto em execução, com os recursos de R$ 15 milhões, vai beneficiar moradores do bairro Jardim Paraíso. Os outros R$ 27 milhões serão repassados ao município para obras nos bairros Estevão de Matos, Morro do Meio, Pirabeiraba e Jardim Sofia.

Os recursos foram obtidos no Programa Saneamento Para Todos, do Ministério das Cidades. As obras devem começar no segundo semestre deste ano e terminar em dois anos. A Companhia Águas de Joinville coordena as obras e pretende ampliar a coleta e tratamento com o projeto Bacia Três, incluindo os bairros Costa e Silva e Glória, atingindo, em quatro anos, 60% da demanda.
(A Notícia, 01/06/2006)

À espera de investimentos

Com menos de 2% da população assistida com saneamento básico, Criciúma sente na Secretaria da Saúde o reflexo da falta do serviço. De acordo com o vice-prefeito e secretário Gelson Fernandes, boa parte dos problemas de saúde registrados nos postos são provocados pela falta de tratamento do esgoto, que em vários bairros ainda corre a céu aberto. “Saneamento básico é fundamental para uma boa saúde pública, mas ainda não temos isso”, lamenta.

Quem vive em bairros como o Renascer conhece o este problema. A comunidade da periferia é cortada por um pequeno riacho onde é despejado o resíduo de milhares de moradores. “Isso aqui, quando está mais quente ou fica muito tempo sem chover, é insuportável. O cheiro é horrível. Isso acaba deixando muita gente doente”, conta o aposentado Plimbio Buss, 53 anos.

Segundo Fernandes, o investimento no saneamento básico é a principal condição imposta pela Prefeitura para renovar o contrato de concessão com a Casan. “Eles prometem investir R$ 58 milhões. Vamos analisar. Se for proveitoso para a cidade, renovamos; caso contrário vamos assumir os serviços”. O contrato entre Casan e município expira em agosto
(Anderson de Jesus, A Notícia, 01/06/2006)

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