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A farra da vaca

Chama-se vaquinha de presépio aquele que, tal como o animal retratado no estábulo natalino, só mexe com a cabeça pra frente, dizendo sim pra tudo. Ele é tido como uma pessoa sem opinião, sem vontade e sem escolha. Enfim, vaquinha de presépio é essa coisa na qual os catarinenses estão se tornando, tamanha a apatia, a afasia que reina nessas plagas. Não reagimos a quase nada. Não resistimos a nenhuma ação nociva do poder público, que rasga todo dia na nossa cara os votos que deveria respeitar. Enquanto alguns povos já aprenderam que não há chance sem ir às ruas para exigir seus direitos, por aqui a gente ainda acha que isso é coisa de baderneiros e de bandidos.

Os exemplos são muitos e fáceis de enumerar, mas a questão dos transportes merece uma lente mais forte. Primeiro porque foi uma promessa de campanha do atual prefeito, com as bravatas de sempre como abrir a caixa-preta e acabar com essa farra. Depois o que vimos foi que a caixa-preta, se foi aberta, ninguém viu e a farra, bem a farra, pelo jeito, foi institucionalizada. Recentemente, no embate entre empresários, trabalhadores do transporte e Prefeitura, a solução de gênio foi, de novo, aumentar as passagens, avaliada como uma mostra de maturidade entre as partes. Maturidade de quem, se a conta sobrou de novo para a população?

Mas eles contavam com a falta de sangue e de atitude dos catarinenses. E ela veio. Mais uma vez não houve problema porque as vaquinhas de presépio só têm articulação no pescoço e só dizem sim sempre. De verdade, tirando os estudantes e sua saudável protestação, poderíamos cercar a cidade toda e fazer dela um belo curral eleitoral, com perdão do trocadilho: todos dizendo sim e vivendo felizes com as marcas à ferro que a Prefeitura faz de vez em quando no nosso lombo.

Foi omissa a Prefeitura quando não cobrou dos empresários que a tarifa subiu 187% em oito anos e os salários dos empregados só 67%. E depois, ao dizer que não havia dinheiro pra o repasse e a redução da tarifa. Mas aí as vacas presepeiras nem atentaram para o fato de que, se não tem dinheiro para baixar a tarifa, como explicar os projetos de construção de uma nova Prefeitura, do memorial para o papa e da construção da famigerada arena da Capital. Com a palavra as associações de moradores e os grupos que defendem essa cidade – o Floripa Hoje, o Floripa Amanhã, o Floripa Melhor e o Floripa Mais Forte, salve salve.
Anderson Loureiro – Jornalista (A Notícia, 23/06/2006)

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